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Reanimação neonatal

Também conhecido como ressuscitação neonatal, reanimação do recém-nascido em sala de parto, suporte à transição neonatal.

Conjunto sequencial de condutas aplicadas ao recém-nascido que não estabelece respiração efetiva ao nascer, tendo a ventilação com pressão positiva como intervenção central.

Definição clínica

A reanimação neonatal é o conjunto sistematizado de intervenções destinadas ao recém-nascido (RN) que não consegue estabelecer respiração efetiva e circulação adequadas logo após o nascimento. No Brasil, o fluxo de referência é o do Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria, alinhado ao consenso internacional. Como a maior parte das necessidades de reanimação decorre de falha na transição respiratória, e não de parada cardíaca primária, a ventilação com pressão positiva é a intervenção mais importante e a que determina o desfecho.

A avaliação inicial se dá por três perguntas feitas imediatamente ao nascimento: gestação a termo? o RN está respirando ou chorando? o tônus muscular está em flexão? Havendo resposta afirmativa às três, o RN permanece com a mãe, em contato pele a pele, com clampeamento oportuno do cordão e cuidados de rotina. Havendo resposta negativa a qualquer uma delas, o RN é levado à mesa de reanimação para os passos iniciais.

Os passos iniciais, executados em até 30 segundos, são: prover calor, posicionar a cabeça em leve extensão, aspirar boca e narinas apenas se houver obstrução evidente de vias aéreas, secar e desprezar campos úmidos. Nos prematuros, acrescenta-se o uso de saco plástico e touca para prevenção de hipotermia. Após os passos iniciais, reavaliam-se respiração e frequência cardíaca. Se o RN estiver em apneia, com respiração irregular ou com frequência cardíaca abaixo de 100 batimentos por minuto, indica-se ventilação com pressão positiva, que deve ser iniciada dentro do minuto de ouro, o primeiro minuto de vida. A monitorização com oxímetro de pulso e a titulação da oferta de oxigênio conforme a saturação alvo por minuto de vida orientam a sequência. Persistindo a frequência cardíaca abaixo de 60 batimentos por minuto apesar de ventilação efetiva, avança-se para intubação, massagem cardíaca coordenada e, se necessário, adrenalina e expansor de volume, sempre por equipe habilitada.

A conduta diante de líquido amniótico meconial mudou: a aspiração traqueal de rotina foi abandonada, inclusive no RN deprimido. O que define a conduta é a vitalidade ao nascer, e não a presença de mecônio. RN com mecônio e boa vitalidade permanece com a mãe; RN deprimido recebe os passos iniciais e ventilação, sem intubação de rotina para aspiração.

Na assistência

  • Preparar antes de cada nascimento o material completo de reanimação, checar fonte de calor, blender, oxímetro e balão ou ventilador manual em T, e definir com a equipe quem assume cada função.
  • Aplicar as três perguntas da avaliação inicial ao nascimento e manter o RN vigoroso com a mãe, em contato pele a pele, com clampeamento oportuno do cordão.
  • Executar os passos iniciais em até 30 segundos, aspirando vias aéreas apenas quando houver obstrução, e acrescentar saco plástico e touca nos prematuros.
  • Iniciar ventilação com pressão positiva dentro do primeiro minuto de vida diante de apneia, respiração irregular ou frequência cardíaca abaixo de 100 batimentos por minuto, e checar técnica antes de escalonar condutas.
  • Acionar imediatamente a equipe médica e neonatal, manter registro do horário de cada intervenção e comunicar a família de forma clara durante e após o atendimento.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra mantém certificação vigente em reanimação neonatal, atua no preparo e na antecipação do risco em todo parto, prioriza a ventilação efetiva sobre qualquer outra manobra e evita procedimentos sem indicação, como aspiração de rotina e separação do binômio quando o RN nasce vigoroso.

O que dizem as evidências

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que toda sala de parto disponha de profissional habilitado em reanimação neonatal e material conferido, com ventilação com pressão positiva iniciada no primeiro minuto de vida quando indicada. A aspiração traqueal de rotina diante de líquido meconial não é mais recomendada, e a conduta é definida pela vitalidade do recém-nascido.

Fonte

Sociedade Brasileira de Pediatria (Programa de Reanimação Neonatal, Diretrizes vigentes); Ministério da Saúde (Atenção à Saúde do Recém-Nascido); OMS (Recomendações para Cuidados Intraparto, 2018); COFEN 516/2016; FEBRASGO