Todo o glossário

Parto prematuro

Também conhecido como parto pré-termo, nascimento prematuro, nascimento pré-termo, prematuridade.

Nascimento que ocorre antes de completar 37 semanas de gestação, contadas a partir do primeiro dia da última menstruação.

Definição clínica

O parto prematuro (ou parto pré-termo) é o nascimento que ocorre antes de completar 37 semanas de idade gestacional, ou seja, com menos de 259 dias contados a partir do primeiro dia da última menstruação. É a principal causa de morbimortalidade neonatal e de sequelas a longo prazo, motivo pelo qual constitui um dos eixos centrais da atenção obstétrica de alto risco. A Organização Mundial da Saúde subdivide a prematuridade em três categorias conforme a idade gestacional ao nascimento, que a prática obstétrica brasileira costuma detalhar em quatro faixas: Prematuro tardio : entre 34 e 36 semanas e 6 dias. Prematuro moderado : entre 32 e 33 semanas e 6 dias (a OMS reúne as duas faixas anteriores como prematuro moderado a tardio, de 32 a menos de 37 semanas). Muito prematuro : entre 28 e 31 semanas e 6 dias. Prematuro extremo : abaixo de 28 semanas. Quanto à origem, o parto prematuro pode ser espontâneo (decorrente de trabalho de parto prematuro ou de ruptura prematura de membranas pré-termo) ou provocado/eletivo (interrupção indicada por condições maternas ou fetais, como pré-eclâmpsia grave ou restrição de crescimento intrauterino). Entre os fatores de risco mais reconhecidos estão antecedente de parto prematuro, gestação múltipla, infecções, encurtamento do colo uterino, sangramentos e condições socioeconômicas desfavoráveis. As principais repercussões neonatais incluem síndrome do desconforto respiratório, imaturidade de órgãos, maior risco de infecção e de alterações no neurodesenvolvimento, com gravidade inversamente proporcional à idade gestacional ao nascimento.

Na assistência

Rastrear ativamente fatores de risco no pré-natal (antecedente de prematuridade, gemelaridade, colo curto, infecções) e reforçar a adesão às consultas e exames de vigilância. Reconhecer precocemente sinais de trabalho de parto prematuro: contrações regulares antes do termo, dor lombar rítmica, pressão pélvica, perda de líquido ou sangramento, encaminhando para avaliação imediata. Apoiar a administração da corticoterapia antenatal prescrita e da neuroproteção fetal quando indicadas, observando os tempos corretos. Preparar o ambiente e a equipe para a recepção do recém-nascido prematuro, priorizando termorregulação, clampeamento oportuno do cordão e contato pele a pele quando as condições permitirem. Acolher a família, informando sobre prognóstico e cuidados de forma clara. Protocolo IPDP: padronize uma triagem de risco de prematuridade em cada consulta de pré-natal com checklist objetivo, articule fluxo ágil de transferência para serviço com suporte neonatal adequado e promova o protagonismo materno por meio de educação em saúde sobre sinais de alarme, fortalecendo a decisão compartilhada e o cuidado humanizado.

O que dizem as evidências

As diretrizes vigentes recomendam corticoterapia antenatal para gestantes sob risco de parto prematuro dentro da janela de idade gestacional preconizada e o uso de sulfato de magnésio para neuroproteção fetal nas prematuridades mais precoces, além de assistência ao nascimento em serviço com suporte neonatal compatível com a idade gestacional.

Fonte

Ministério da Saúde (Diretrizes de Atenção à Gestante e Parto); FEBRASGO; OMS 2018 (Recomendações para melhorar os desfechos do parto prematuro); COFEN Resolução 516/2016 e 524/2016; Sociedade Brasileira de Pediatria (reanimação e cuidados ao recém-nascido prematuro)