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Apojadura

Também conhecido como descida do leite, descida láctea, lactogênese II.

Apojadura é a descida abundante do leite, geralmente entre o 2º e o 5º dia pós-parto, que marca o início da produção láctea copiosa (lactogênese II).

Definição clínica

A apojadura , também chamada de descida do leite, corresponde ao início da produção láctea copiosa no puerpério, fenômeno fisiológico conhecido como lactogênese II . Ocorre tipicamente entre o segundo e o quinto dia após o parto, desencadeada pela queda abrupta dos níveis de progesterona após a dequitação placentária, em presença de prolactina, insulina e cortisol. Antes da apojadura, a mama produz colostro em pequeno volume, secretado já durante a gestação (lactogênese I). Com a apojadura, há aumento expressivo do volume de leite, acompanhado de alterações mamárias perceptíveis pela puérpera: aumento da consistência, do calor e do volume das mamas; sensação de plenitude, peso ou formigamento; eventual desconforto transitório e leve elevação térmica local. É fundamental distinguir a apojadura fisiológica do ingurgitamento mamário patológico: a primeira é um evento esperado e autolimitado, enquanto o ingurgitamento envolve estase láctea, edema e dor importante, podendo dificultar a pega. O esvaziamento eficaz da mama, garantido pela amamentação em livre demanda e pela pega correta, é o principal regulador do volume produzido, pela ação local da inibição por retroalimentação da lactação. O retardo da apojadura pode associar-se a fatores como cesárea, diabetes, retenção de restos placentários, obesidade e separação mãe-bebê, exigindo atenção da equipe.

Na assistência

Oriente a puérpera ainda no pré-natal e nas primeiras horas pós-parto sobre o que esperar da descida do leite, diferenciando-a de complicações, para reduzir ansiedade e desmame precoce. Favoreça o contato pele a pele e o início precoce da amamentação, estimulando mamadas frequentes em livre demanda como medida central para uma apojadura adequada. Avalie a pega e o posicionamento em cada visita, corrigindo falhas que predispõem a estase e fissura mamilar. Diante de mamas túrgidas, ensine ordenha manual de alívio e amamentação frequente, monitorando sinais de ingurgitamento ou mastite. Identifique fatores de risco para apojadura tardia e acione apoio adicional quando o bebê apresentar perda ponderal excessiva. Protocolo IPDP: registre data e características da apojadura no prontuário, reforce o esvaziamento eficaz como melhor conduta e reserve uso de medidas farmacológicas ou galactagogos para avaliação médica conjunta.

O que dizem as evidências

OMS, Ministério da Saúde e FEBRASGO recomendam amamentação na primeira hora de vida, em livre demanda e com aleitamento materno exclusivo até os seis meses, sendo o esvaziamento eficaz da mama a principal conduta para apojadura e prevenção do ingurgitamento.

Fonte

Ministério da Saúde (Caderno de Atenção Básica nº 23 – Saúde da Criança: Aleitamento Materno); FEBRASGO; OMS/UNICEF; Sociedade Brasileira de Pediatria (Documentos Científicos do Departamento de Aleitamento Materno); COFEN 516/2016.