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Amniotomia

Também conhecido como Ruptura artificial das membranas, RAM, amniorrexe artificial.

Amniotomia é a ruptura artificial das membranas ovulares, feita com instrumento próprio durante o trabalho de parto.

Definição clínica

A amniotomia é a ruptura artificial e deliberada das membranas amnióticas (bolsa das águas) realizada por profissional habilitado durante o trabalho de parto, com o objetivo de drenar o líquido amniótico anterior. O procedimento é feito com instrumento estéril específico (amniótomo descartável ou pinça apropriada, como a pinça de Kocher), preferencialmente com a apresentação fetal bem aplicada ao colo para reduzir o risco de prolapso de cordão. Historicamente, a amniotomia foi empregada de forma rotineira na expectativa de acelerar a dilatação cervical e abreviar a duração do trabalho de parto. As evidências atuais, porém, não confirmam benefício consistente desse uso isolado e rotineiro em partos de evolução normal, motivo pelo qual as principais diretrizes desaconselham a prática indiscriminada. Suas indicações clínicas reconhecidas incluem: necessidade de avaliar características do líquido amniótico (presença de mecônio); componente de protocolos de indução ou condução do trabalho de parto, em geral associada à ocitocina; facilitar a monitorização fetal direta quando indicada. Antes de realizá-la, confirma-se a apresentação, a altura, a ausência de vasa prévia e a integridade do bem-estar fetal. Após a ruptura, registram-se cor, odor, volume e a frequência cardíaca fetal. Por ser intervenção que altera o curso fisiológico do parto, deve ser sempre justificada, discutida com a mulher e devidamente documentada no prontuário.

Na assistência

Avalie a indicação real e o consentimento informado antes de propor a amniotomia, evitando a prática rotineira em partos fisiológicos. Confirme apresentação cefálica bem insinuada e descarte alça de cordão ou vasa prévia antes do procedimento. Ausculte ou monitore a frequência cardíaca fetal imediatamente antes e logo após a ruptura, atenta a desacelerações. Inspecione e registre cor, odor e volume do líquido; havendo mecônio, acione o fluxo de assistência ao recém-nascido. Reavalie a dinâmica uterina e o progresso da dilatação, integrando o achado ao partograma. Protocolo IPDP: na ausência de indicação clínica precisa, a enfermeira obstetra prioriza a conduta expectante, respeita o tempo fisiológico e a autonomia da mulher, e reserva a amniotomia a decisões compartilhadas e registradas, sempre articulada à equipe e ao plano de parto.

O que dizem as evidências

A OMS e o Ministério da Saúde recomendam NÃO realizar amniotomia de rotina para abreviar o trabalho de parto em evolução normal, reservando o procedimento a indicações clínicas específicas e decisão compartilhada.

Fonte

Ministério da Saúde (Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal); FEBRASGO; OMS 2018 (Recomendações para cuidados intraparto); COFEN 516/2016