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Escala de Apgar

Também conhecido como índice de Apgar, boletim de Apgar, escore de Apgar, nota de Apgar.

Escore de 0 a 10 que avalia cinco sinais do recém-nascido no 1º e no 5º minuto de vida para descrever a adaptação à vida extrauterina.

Definição clínica

A escala de Apgar é um instrumento padronizado de avaliação do recém-nascido (RN) proposto pela anestesiologista Virginia Apgar. Atribui de 0 a 2 pontos a cinco sinais clínicos, totalizando um escore de 0 a 10, aplicado de rotina no 1º e no 5º minuto de vida e repetido a cada cinco minutos até os 20 minutos quando o valor do 5º minuto permanece abaixo de 7.

Os cinco parâmetros avaliados são:

  • Frequência cardíaca: ausente (0), abaixo de 100 batimentos por minuto (1), igual ou acima de 100 batimentos por minuto (2).
  • Esforço respiratório: ausente (0), respiração irregular ou choro fraco (1), choro forte e respiração regular (2).
  • Tônus muscular: flacidez (0), alguma flexão de extremidades (1), movimentação ativa e boa flexão (2).
  • Irritabilidade reflexa: sem resposta ao estímulo (0), careta (1), choro, tosse ou espirro (2).
  • Cor da pele: palidez ou cianose generalizada (0), corpo rosado com extremidades cianóticas, ou seja, acrocianose (1), corpo inteiramente rosado (2).

Convencionalmente, escores de 7 a 10 descrevem boa adaptação, de 4 a 6 adaptação intermediária e de 0 a 3 adaptação gravemente comprometida. O valor do 5º minuto tem maior significado clínico do que o do 1º minuto, porque expressa a resposta do RN às medidas já instituídas. A pontuação sofre influência de idade gestacional, prematuridade, malformações, uso materno de fármacos e da própria intervenção em curso, o que limita sua leitura isolada.

Dois pontos precisam ficar explícitos na prática. Primeiro, o Apgar do 1º minuto não é critério para indicar reanimação neonatal: quando há indicação, a reanimação já começou antes do primeiro minuto, a partir das três perguntas iniciais sobre gestação a termo, respiração ou choro e tônus. Esperar o escore para agir atrasa a ventilação e é uma conduta incorreta. Segundo, o Apgar isolado não prediz desfecho neurológico individual nem estabelece diagnóstico de asfixia perinatal ou de encefalopatia hipóxico-isquêmica, que dependem de gasometria de cordão, evolução clínica e exames complementares. A escala é registro descritivo e ferramenta de comunicação entre a equipe, não instrumento de decisão nem de prognóstico.

Na assistência

  • Avaliar respiração, choro e tônus imediatamente ao nascimento e iniciar as condutas indicadas sem aguardar o escore do 1º minuto.
  • Aplicar a escala no 1º e no 5º minuto de vida, repetindo a cada cinco minutos até 20 minutos sempre que o escore do 5º minuto for inferior a 7.
  • Registrar cada um dos cinco parâmetros separadamente, e não apenas o total, anotando o suporte que estava em uso no momento da avaliação.
  • Comunicar o resultado à equipe e à mulher em linguagem clara, esclarecendo que o escore descreve a adaptação naquele minuto e não antecipa o futuro do bebê.
  • Correlacionar escores baixos com fatores associados, como prematuridade, líquido meconial, sofrimento fetal agudo e fármacos maternos, e acionar a equipe médica para avaliação complementar.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra usa o Apgar como registro e não como gatilho de intervenção, sustenta o contato pele a pele e o clampeamento oportuno do cordão nos RN com boa vitalidade, e evita separar o binômio ou interromper a primeira hora com base em um escore de 1º minuto isoladamente reduzido.

O que dizem as evidências

A Sociedade Brasileira de Pediatria e o Ministério da Saúde recomendam aplicar a escala de Apgar no 1º e no 5º minuto em todo nascimento, como registro da adaptação neonatal, deixando claro que a decisão de reanimar precede o escore e se baseia na avaliação da respiração e do tônus. O Apgar isolado não deve ser usado para definir asfixia perinatal nem para estimar prognóstico neurológico individual.

Fonte

Sociedade Brasileira de Pediatria (Programa de Reanimação Neonatal, Diretrizes vigentes); Ministério da Saúde (Atenção à Saúde do Recém-Nascido, Guia para os Profissionais de Saúde); OMS (Recomendações para Cuidados Intraparto, 2018); FEBRASGO; COFEN 516/2016