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Icterícia neonatal

Também conhecido como icterícia do recém-nascido, hiperbilirrubinemia neonatal, icterícia fisiológica do neonato.

Coloração amarelada da pele, escleras e mucosas do recém-nascido causada pelo acúmulo de bilirrubina (hiperbilirrubinemia) no sangue.

Definição clínica

A icterícia neonatal é a expressão clínica da hiperbilirrubinemia, ou seja, o acúmulo de bilirrubina no sangue do recém-nascido (RN), manifestando-se como coloração amarelada da pele, das escleras e das mucosas. Decorre do desequilíbrio entre a produção aumentada de bilirrubina (maior massa e menor sobrevida das hemácias fetais) e a imaturidade da conjugação e excreção hepáticas características das primeiras semanas de vida. Distinguem-se dois grandes padrões clínicos: Icterícia fisiológica: de início após as primeiras 24 horas de vida, evolução autolimitada e níveis de bilirrubina que tendem a regredir espontaneamente, sem repercussão clínica. Icterícia não fisiológica (patológica): de início precoce (nas primeiras 24 horas), de progressão rápida, persistente ou associada a causas como incompatibilidade sanguínea (ABO/Rh), hemólise, infecção, prematuridade ou colestase. A icterícia segue progressão craniocaudal, descrita pelas zonas de Kramer, o que orienta a avaliação visual inicial, embora a estimativa apenas visual seja imprecisa e deva ser confirmada por dosagem transcutânea ou sérica de bilirrubina. A principal preocupação clínica é a neurotoxicidade da bilirrubina indireta, que em níveis elevados pode causar encefalopatia bilirrubínica aguda e a forma crônica, o kernicterus, condição grave e prevenível. Por isso, a vigilância sistemática, a interpretação por nomogramas conforme idade em horas e fatores de risco, e o encaminhamento oportuno são essenciais ao cuidado neonatal seguro.

Na assistência

Inspecione o RN sob luz natural, com pele despida, pressionando levemente a pele para revelar a tonalidade amarelada e estimar a progressão craniocaudal (zonas de Kramer). Registre a idade em horas de vida ao surgimento da icterícia: coloração nas primeiras 24 horas é sinal de alerta e exige avaliação médica imediata. Apoie o aleitamento materno eficaz, com pega correta e livre demanda, pois a hidratação e a eliminação intestinal favorecem a excreção da bilirrubina. Monitore diurese, evacuações, perda ponderal e sinais de letargia ou recusa alimentar, que podem indicar agravamento. Solicite ou viabilize a dosagem transcutânea/sérica conforme protocolo institucional, evitando confiar apenas na avaliação visual. Protocolo IPDP: integre a triagem da icterícia ao exame diário do binômio, oriente a família sobre sinais de alarme antes da alta e garanta reavaliação ambulatorial precoce, atuando dentro do escopo da Resolução COFEN 516/2016 e acionando a equipe médica diante de qualquer sinal de hiperbilirrubinemia significativa.

O que dizem as evidências

As diretrizes vigentes recomendam avaliação sistemática da icterícia em todo recém-nascido, com confirmação por dosagem transcutânea ou sérica de bilirrubina e interpretação por nomograma conforme idade em horas e fatores de risco. Toda icterícia nas primeiras 24 horas de vida deve ser considerada patológica até prova em contrário.

Fonte

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) – Diretrizes em Hiperbilirrubinemia Neonatal; Ministério da Saúde – Atenção à Saúde do Recém-Nascido; FEBRASGO; OMS; COFEN 516/2016