Clampeamento do cordão
Também conhecido como Clampagem do cordão umbilical, Pinçamento do cordão, Ligadura do cordão umbilical, Clampeamento tardio, Clampeamento oportuno.
Clampeamento do cordão é o pinçamento e a secção do cordão umbilical após o nascimento, separando a circulação do recém-nascido da placenta.
Definição clínica
O clampeamento do cordão (ou clampagem, pinçamento ou ligadura do cordão umbilical) é o procedimento que interrompe a comunicação vascular entre o recém-nascido e a placenta por meio do pinçamento e da posterior secção do cordão umbilical após o nascimento. O momento em que se realiza o clampeamento influencia diretamente a transfusão placentária, isto é, a passagem de volume sanguíneo da placenta para o neonato nos primeiros minutos de vida. Quanto ao tempo, classifica-se em: clampeamento precoce (imediato) , realizado nos primeiros segundos após o nascimento; clampeamento tardio ou oportuno , realizado após cessarem as pulsações do cordão ou decorrido um intervalo definido pelas diretrizes vigentes. O clampeamento tardio favorece a transfusão placentária, aumentando as reservas de ferro e os estoques de hemoglobina do recém-nascido, com redução do risco de anemia ferropriva no lactente. Em recém-nascidos prematuros, associa-se a melhores desfechos hemodinâmicos e hematológicos. Por isso, o clampeamento oportuno é considerado boa prática assistencial e integra o manejo do nascimento centrado na fisiologia. Situações específicas, como necessidade de reanimação neonatal imediata, descolamento prematuro de placenta, placenta prévia ou circular cervical apertada, podem exigir individualização da conduta. A definição precisa dos intervalos de tempo e das exceções deve sempre seguir a edição mais recente das diretrizes nacionais e internacionais.
Na assistência
Confirme a vitalidade do recém-nascido ao nascer e, na ausência de indicação de reanimação imediata, planeje o clampeamento oportuno conforme protocolo institucional. Mantenha o neonato em contato pele a pele com a mãe e em plano compatível com a transfusão placentária enquanto aguarda o tempo recomendado. Observe os sinais de cessação das pulsações do cordão como referência clínica complementar ao intervalo de tempo definido. Pince o cordão em dois pontos e realize a secção com material estéril, prevenindo contaminação e sangramento. Reavalie continuamente o recém-nascido; havendo necessidade de reanimação, priorize o atendimento neonatal e antecipe o clampeamento. Favoreça a amamentação na primeira hora de vida, integrando a prática ao cuidado humanizado. Protocolo IPDP: registre o horário exato do nascimento e do clampeamento, o tempo decorrido, a condição do recém-nascido e a justificativa em caso de antecipação; diante de prematuridade ou de intercorrências, articule a conduta com a equipe neonatal e documente a decisão compartilhada.
O que dizem as evidências
OMS, Ministério da Saúde, FEBRASGO e Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam o clampeamento tardio ou oportuno do cordão em recém-nascidos a termo e prematuros sem necessidade de reanimação imediata, por aumentar os estoques de ferro e reduzir o risco de anemia. O clampeamento deve ser antecipado quando há indicação de reanimação neonatal imediata ou outra contraindicação clínica.