Contato pele a pele
Também conhecido como Contato pele a pele precoce, Método Canguru (etapa inicial), Skin-to-skin contact.
Colocação do recém-nascido despido em decúbito ventral sobre o tórax nu da mãe logo após o nascimento, mantida de forma contínua e ininterrupta.
Definição clínica
O contato pele a pele consiste em posicionar o recém-nascido despido, em decúbito ventral, diretamente sobre o tórax ou abdome nus da mãe imediatamente após o nascimento, cobrindo a dupla com campo aquecido para preservar a temperatura. Trata-se de uma boa prática assistencial reconhecida internacionalmente, integrada às recomendações de assistência ao parto e ao nascimento e à primeira etapa do Método Canguru. Os benefícios documentados na literatura incluem: estabilização térmica, cardiorrespiratória e glicêmica do neonato; favorecimento do vínculo mãe-bebê; redução do choro e do estresse; e estímulo ao início precoce e à manutenção do aleitamento materno, ao permitir que o recém-nascido busque espontaneamente a mama (reflexo de reptação e busca). Realizado preferencialmente na primeira hora de vida (hora dourada), em recém-nascidos a termo e vigorosos. Mantido de forma contínua, sem interrupções desnecessárias para procedimentos de rotina que possam ser adiados. Aplicável também após cesariana, sempre que mãe e bebê estejam estáveis, e pelo acompanhante quando a mãe não puder. É uma intervenção de baixo custo, segura e de elevado impacto, desde que acompanhada de vigilância contínua dos sinais vitais e do posicionamento das vias aéreas do recém-nascido para prevenção de eventos como o colapso pós-natal súbito.
Na assistência
Seque e avalie a vitalidade do recém-nascido; se vigoroso, posicione-o imediatamente sobre o tórax materno em decúbito ventral. Garanta vias aéreas pérvias: cabeça lateralizada, pescoço em leve extensão e narinas livres, com observação contínua da coloração e respiração. Cubra a dupla com campo aquecido e toca no neonato para reduzir a perda térmica. Adie procedimentos não urgentes (peso, vitamina K, profilaxia ocular) para preservar a primeira hora. Apoie a primeira mamada respeitando o ritmo de busca espontânea do bebê. Registre início, duração, sinais vitais e intercorrências no prontuário. Protocolo IPDP: na ausência de contraindicações, a enfermeira obstetra deve assegurar contato pele a pele contínuo e supervisionado durante toda a primeira hora, mantendo vigilância ativa do binômio, integrando-o ao clampeamento oportuno do cordão e estendendo a prática à sala de recuperação pós-cesárea.
O que dizem as evidências
OMS, Ministério da Saúde e FEBRASGO recomendam contato pele a pele imediato e ininterrupto entre mãe e recém-nascido a termo e vigoroso na primeira hora de vida, favorecendo o aleitamento materno e a estabilidade do neonato. A prática deve ser mantida sob vigilância contínua do binômio.