Todo o glossário

Mecanismo de parto

Também conhecido como mecanismo do parto, movimentos cardinais do parto, movimentos cardeais.

Mecanismo de parto é a sequência de movimentos passivos que o feto realiza para adaptar-se à bacia materna e progredir pelo canal de parto até o nascimento.

Definição clínica

O mecanismo de parto é o conjunto de movimentos passivos e coordenados que o feto executa para acomodar-se às dimensões e à forma da pelve materna durante a descida pelo canal de parto. Esses movimentos resultam da interação entre as forças expulsivas (contrações uterinas e prensa abdominal), a resistência das partes moles e ósseas do canal e a plasticidade do polo fetal, permitindo que o maior diâmetro fetal se ajuste continuamente aos menores diâmetros pélvicos. Na apresentação cefálica fletida, que é a mais comum, descrevem-se classicamente os seguintes tempos, que se sobrepõem no tempo e não ocorrem de forma estritamente isolada: Insinuação (encaixamento): passagem do maior diâmetro da apresentação pelo estreito superior da bacia. Descida: progressão do polo fetal através do canal, sob ação das forças expulsivas. Flexão: aproximação do mento ao tórax, oferecendo diâmetros cefálicos menores. Rotação interna: giro da apresentação para acomodar-se ao diâmetro anteroposterior do estreito médio e inferior. Desprendimento (deflexão): extensão da cabeça para sua exteriorização sob a sínfise púbica. Rotação externa (restituição) e desprendimento dos ombros. Compreender essa fisiologia é fundamental para diferenciar a evolução normal das distocias, evitando intervenções desnecessárias e favorecendo o parto fisiológico.

Na assistência

Correlacionar exame e fisiologia: ao realizar o toque vaginal, identificar variedade de posição, grau de flexão e altura da apresentação, interpretando-os à luz dos tempos do mecanismo de parto. Acompanhar a progressão com o partograma: registrar descida e dilatação ao longo do tempo, reconhecendo quando a progressão segue o padrão esperado. Favorecer movimentos espontâneos: estimular deambulação, verticalização e mudanças de posição, que auxiliam a rotação interna e a descida. Reconhecer sinais de desvio: distinguir variedades persistentes, deflexões e parada de descida que sugerem distocia, comunicando à equipe. Proteger o períneo no desprendimento e orientar a respiração no período expulsivo. Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra integra o entendimento dos tempos do mecanismo de parto ao raciocínio clínico beira-leito, prioriza condutas não farmacológicas que favorecem a fisiologia, evita manobras de pressão fúndica e atua de forma colaborativa com a equipe, sempre dentro do escopo definido pela Resolução COFEN 516/2016.

O que dizem as evidências

As diretrizes vigentes recomendam o acompanhamento atento da progressão fisiológica do parto, com uso do partograma e estímulo à liberdade de posição e movimentação, reservando intervenções para situações de desvio bem caracterizado, sempre respeitando o ritmo fisiológico do nascimento.

Fonte

FEBRASGO; Ministério da Saúde (Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal); OMS 2018 (Intrapartum care for a positive childbirth experience); COFEN 516/2016.