Método Canguru
Também conhecido como Método Mãe Canguru, Atenção Humanizada ao Recém-Nascido Método Canguru, cuidado canguru.
Política nacional de atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso, em três etapas, com contato pele a pele progressivo, apoio ao aleitamento e família no cuidado.
Definição clínica
O Método Canguru é um modelo de assistência perinatal instituído como política pública brasileira pelo Ministério da Saúde, voltado ao recém-nascido (RN) prematuro e de baixo peso. Não se resume à posição canguru, ou seja, ao contato pele a pele em posição vertical entre o tórax da mãe ou do pai e o corpo do bebê. O contato pele a pele é um componente, e é também um cuidado indicado a todo RN saudável logo após o nascimento, descrito em verbete próprio. O Método Canguru é mais amplo: reorganiza a assistência neonatal em torno da presença da família, do controle do ambiente, do manejo da dor, do apoio ao aleitamento e do acompanhamento após a alta.
Está estruturado em três etapas:
- Primeira etapa: começa no pré-natal de risco e segue na unidade neonatal. Inclui acolhimento da família, livre acesso dos pais à unidade sem restrição de horário, orientação sobre a condição do bebê, estímulo ao toque e ao contato pele a pele conforme estabilidade clínica, cuidado com luz, ruído e manipulação mínima, controle da dor e apoio à ordenha e à produção de leite materno.
- Segunda etapa: ocorre na unidade de cuidados intermediários canguru, quando o RN está clinicamente estável e a mãe permanece em tempo integral com o bebê, ampliando progressivamente o tempo em posição canguru e assumindo os cuidados com apoio da equipe.
- Terceira etapa: após a alta hospitalar, com acompanhamento ambulatorial frequente, compartilhado entre a maternidade e a atenção básica, até que o bebê atinja peso e evolução adequados.
São critérios gerais de elegibilidade para a segunda etapa a estabilidade clínica do RN, ganho de peso consistente, nutrição enteral plena com aleitamento materno ou leite humano, peso mínimo definido em protocolo institucional e, sobretudo, o desejo e a disponibilidade da mãe e da família, com apoio social viável. A participação é sempre voluntária e a recusa não implica cuidado de menor qualidade. Os benefícios descritos na literatura incluem estabilidade fisiológica, melhor controle térmico, maior taxa e duração do aleitamento materno, fortalecimento do vínculo, redução de infecção e melhora do desenvolvimento neurocomportamental.
Na assistência
- Iniciar a abordagem canguru ainda no pré-natal de risco e na internação, acolhendo a família e garantindo acesso livre à unidade neonatal.
- Avaliar diariamente a elegibilidade do binômio para cada etapa, considerando estabilidade clínica do RN, ganho de peso e disponibilidade real da família, sem impor a permanência.
- Apoiar a produção de leite materno com ordenha precoce e frequente, orientação de armazenamento e articulação com o banco de leite humano.
- Posicionar o RN em decúbito ventral, na vertical, entre as mamas, com vias aéreas livres e contenção segura, supervisionando as primeiras sessões e ampliando o tempo de forma progressiva.
- Programar a terceira etapa antes da alta, com data de retorno definida, referência ambulatorial e vinculação à unidade básica de saúde.
Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra trata o Método Canguru como modelo de cuidado e não como técnica de posicionamento, protege a permanência da família na unidade, sustenta a decisão compartilhada sobre o tempo em posição canguru e evita transformar a adesão em cobrança sobre a mãe.
O que dizem as evidências
O Ministério da Saúde e a OMS recomendam o Método Canguru como modelo de atenção ao recém-nascido prematuro e de baixo peso, com contato pele a pele iniciado o mais precocemente possível conforme estabilidade clínica, aleitamento materno apoiado e permanência da família na unidade neonatal. A adesão deve ser voluntária e sustentada por condições institucionais, e não exigida da mulher.