Banco de leite humano
Também conhecido como BLH, Banco de leite, Serviço de banco de leite humano, Posto de coleta de leite humano.
Serviço de saúde responsável por promover o aleitamento materno e por coletar, processar, controlar a qualidade e distribuir leite humano doado, sem fins lucrativos.
Definição clínica
O banco de leite humano é um serviço vinculado a um hospital de atenção materno-infantil, responsável por três frentes: promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno; assistência às mulheres com dificuldades na lactação; e execução das etapas de coleta, processamento, controle de qualidade e distribuição do leite humano ordenhado doado. A atividade é sem fins lucrativos, e a comercialização de leite humano é proibida no Brasil.
A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, a rBLH, coordenada pela Fiocruz em articulação com o Ministério da Saúde, é a maior e mais complexa rede do gênero no mundo e serve de referência para dezenas de países. Além dos bancos, a rede inclui os postos de coleta, unidades que captam e recebem doação mas não processam o leite, ampliando o alcance territorial do serviço.
O leite doado é destinado prioritariamente aos recém-nascidos internados que não podem receber o leite da própria mãe, com critérios de prioridade estabelecidos:
- Prematuros e recém-nascidos de baixo peso que não sugam;
- Recém-nascidos infectados, especialmente com enterocolite necrosante, e portadores de deficiências imunológicas;
- Recém-nascidos em pós-operatório ou com intolerância a fórmulas lácteas.
Pode ser doadora a mulher saudável, que amamenta o próprio filho, apresenta produção excedente, não usa medicamentos incompatíveis com a lactação e tem exames de pré-natal sem alterações que contraindiquem a doação. O cadastro é gratuito e o banco fornece os frascos e orienta a coleta e o transporte. São contraindicações à doação: infecção por HIV ou HTLV, uso de drogas ilícitas, uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação e outras condições definidas na triagem clínica e sorológica do serviço. Cada situação é avaliada individualmente pela equipe, e o leite recebido passa por seleção, classificação, pasteurização e análise microbiológica antes da distribuição.
A enfermeira obstetra ocupa posição estratégica na captação de doadoras, porque acompanha a mulher no pré-natal, no alojamento conjunto e no puerpério, momentos em que a produção excedente aparece e a informação sobre doação raramente chega de forma espontânea.
Na assistência
- Identificar potenciais doadoras no alojamento conjunto e nas consultas de puerpério, abordando ativamente as mulheres com produção excedente.
- Aplicar a triagem inicial da doadora: condição de saúde, medicamentos em uso e resultados dos exames de pré-natal, encaminhando ao banco para avaliação definitiva.
- Ensinar a ordenha manual e as regras de coleta domiciliar: higiene, frasco esterilizado fornecido pelo serviço, identificação com data e hora e congelamento imediato.
- Orientar o fluxo de transporte e acionar a coleta domiciliar do banco ou do posto de coleta de referência do território.
- Encaminhar ao banco de leite as mulheres com dificuldades de lactação, e não apenas as candidatas à doação, aproveitando o serviço como retaguarda assistencial.
Protocolo IPDP: a captação de doadoras é responsabilidade assistencial da enfermeira obstetra, não tarefa acessória; a abordagem é feita por convite informado, nunca por pressão sobre a puérpera, e a prioridade absoluta é sempre o leite da própria mãe para o próprio filho, sendo o leite doado destinado a quem não dispõe dessa possibilidade.
O que dizem as evidências
Ministério da Saúde e OMS recomendam que o recém-nascido prematuro ou internado que não pode receber o leite da própria mãe seja alimentado com leite humano pasteurizado de banco de leite, antes de qualquer fórmula. A doação depende de triagem clínica e sorológica da doadora e do processamento em serviço credenciado da rBLH.