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Métodos não farmacológicos de alívio da dor

Também conhecido como Métodos não farmacológicos para alívio da dor no parto, Medidas não farmacológicas de conforto, Técnicas não farmacológicas de alívio da dor.

Conjunto de medidas de conforto e alívio da dor no trabalho de parto que não utilizam fármacos, oferecidas de forma combinada e conforme a preferência da mulher.

Definição clínica

Os métodos não farmacológicos de alívio da dor reúnem as estratégias de conforto, relaxamento e modulação da dor empregadas no trabalho de parto sem uso de medicamentos. Integram as boas práticas de atenção ao parto e ao nascimento e estão dentro do escopo autônomo da enfermeira obstetra, que os oferece de forma combinada, ajustada à fase do trabalho de parto, às condições clínicas e à preferência da mulher.

Podem ser agrupados em quatro grandes categorias:

  • Métodos hidrotermais: banho de aspersão no chuveiro e [banho de imersão](http://docs.google.com/glossario/banho-de-imersao-no-trabalho-de-parto/), além de aplicação local de calor e de frio.
  • Métodos cinéticos e posturais: deambulação, [liberdade de posição](http://docs.google.com/glossario/liberdade-de-posicao-no-parto/), exercícios com a [bola de parto](http://docs.google.com/glossario/bola-de-parto/), cavalinho, banquinho de parto e balanço pélvico.
  • Métodos manuais e de toque: massagem, contrapressão sacral, duplo aperto de quadril e técnicas com [rebozo](http://docs.google.com/glossario/rebozo/).
  • Métodos cognitivos, sensoriais e de suporte: respiração dirigida, visualização, musicoterapia, aromaterapia, controle de luz e ruído, presença de acompanhante e apoio contínuo por doula ou pela própria equipe.

O nível de evidência não é o mesmo para todos eles, e essa distinção é clinicamente relevante. A imersão em água durante o primeiro período e o apoio contínuo à parturiente são os recursos com suporte mais consistente para redução da dor referida e do uso de analgesia farmacológica. A massagem, as técnicas de relaxamento e a movimentação livre têm suporte moderado. Aromaterapia, musicoterapia e várias manobras com tecido são medidas de conforto com evidência limitada ou insuficiente para desfechos clínicos, o que não as invalida como recurso de bem-estar, desde que sejam apresentadas como tal.

Nenhum desses métodos substitui a [analgesia de parto](http://docs.google.com/glossario/analgesia-de-parto/) farmacológica quando a mulher a solicita. A oferta de métodos não farmacológicos é complementar, e o pedido de analgesia não deve ser interpretado como fracasso da mulher nem da equipe. O uso combinado tende a produzir melhor resposta do que a aplicação isolada de um único recurso, e o efeito costuma depender também da continuidade do cuidado e do vínculo estabelecido com quem assiste.

A escolha e a troca de método acompanham a evolução do trabalho de parto: recursos de relaxamento e distração predominam na fase latente, enquanto hidroterapia, contrapressão e mudança frequente de posição ganham espaço na fase ativa.

Na assistência

  • Apresentar ainda no pré-natal e na admissão o repertório de métodos disponíveis no serviço, registrando as escolhas da mulher no plano de parto.
  • Avaliar a dor de forma sistemática, considerando fase do trabalho de parto, intensidade referida, cansaço acumulado e capacidade de descanso entre as contrações.
  • Combinar métodos em vez de aplicar um recurso isolado, alternando hidroterapia, movimentação, toque terapêutico e apoio contínuo conforme a resposta observada.
  • Informar com honestidade o que cada método oferece, distinguindo os que reduzem a dor referida daqueles que promovem conforto sem desfecho clínico comprovado.
  • Garantir o acesso à analgesia farmacológica sempre que a mulher solicitar, sem condicionar a oferta ao esgotamento prévio dos métodos não farmacológicos.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra sustenta a oferta ativa e continuada dos métodos não farmacológicos como cuidado de primeira linha, registra em prontuário o método utilizado e a resposta da mulher, revisa a escolha a cada mudança de fase e mantém a decisão compartilhada, evitando tanto a imposição de técnicas quanto a recusa velada da analgesia solicitada.

O que dizem as evidências

OMS e Ministério da Saúde recomendam oferecer métodos não farmacológicos de alívio da dor a todas as mulheres em trabalho de parto, com base na preferência informada, mantendo disponível a analgesia farmacológica sempre que solicitada.

Fonte

Ministério da Saúde (Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal); FEBRASGO; OMS (Recomendações para Cuidados Intraparto para uma Experiência Positiva de Parto, 2018); COFEN 516/2016; revisões sistemáticas Cochrane sobre imersão em água, massagem e apoio contínuo no trabalho de parto.