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Macrossomia fetal

Também conhecido como feto macrossômico, recém-nascido macrossômico, bebê grande para a idade gestacional.

Crescimento fetal excessivo, definido pelo peso ao nascer igual ou superior a 4.000 gramas, independentemente da idade gestacional.

Definição clínica

A macrossomia fetal é o crescimento fetal acima do esperado, definida classicamente pelo peso ao nascer igual ou superior a 4.000 gramas, com alguns serviços adotando o limiar de 4.500 gramas para caracterizar a macrossomia grave. Distingue-se do conceito de grande para a idade gestacional, que é um critério relativo, correspondente ao peso acima do percentil 90 da curva para aquela idade gestacional. Um feto pode ser grande para a idade gestacional sem atingir 4.000 gramas, e vice-versa.

Os fatores de risco mais consistentes são o diabetes materno, gestacional ou prévio, sobretudo quando mal controlado, a obesidade materna e o ganho de peso excessivo na gestação, a multiparidade, o antecedente de recém-nascido macrossômico, a gestação prolongada, a estatura elevada dos genitores e fatores constitucionais familiares. No diabetes, a hiperglicemia materna leva a hiperinsulinemia fetal e a um padrão de crescimento assimétrico, com maior deposição de gordura em tronco e ombros, o que explica por que o risco de distocia de ombro é maior nesses casos do que em fetos grandes de mães sem diabetes com o mesmo peso.

Um ponto é decisivo para a prática, e precisa ser dito de forma direta: a macrossomia é um diagnóstico de peso ao nascer, ou seja, retrospectivo. Antes do nascimento existe apenas suspeita, e os métodos de estimativa têm limitações importantes:

  • A estimativa de peso fetal por ultrassonografia tem margem de erro relevante, situada em torno de 10 a 15 por cento nos extremos de peso, o que significa uma variação de centenas de gramas;
  • A estimativa clínica, por altura uterina e manobras de Leopold, tem acurácia semelhante ou apenas discretamente inferior à ultrassonográfica;
  • A altura uterina acima do esperado tem outras explicações, como polidrâmnio, obesidade materna, gestação múltipla e erro de idade gestacional.

A suspeita de macrossomia por estimativa, clínica ou ultrassonográfica, não é, isoladamente, indicação de cesárea nem de indução do parto. Esse uso indevido é um dos maiores geradores de cesárea desnecessária e de cascata de intervenções no Brasil, e produz um efeito adicional relevante: o próprio anúncio de bebê grande abala a confiança da mulher na possibilidade do parto normal. As repercussões reais que justificam vigilância são o risco aumentado de distocia de ombro, de lacerações perineais graves, de hemorragia pós-parto por atonia e, no recém-nascido, de hipoglicemia neonatal e de trauma de parto.

Na assistência

  • Medir a altura uterina e realizar as manobras de Leopold em toda consulta, comparando com a curva da caderneta e investigando as outras causas de altura uterina aumentada antes de rotular o feto como grande.
  • Garantir o rastreamento e o controle do diabetes gestacional, que é o fator de risco modificável mais relevante para a macrossomia e para a distocia de ombro.
  • Informar a mulher com honestidade sobre a margem de erro da estimativa de peso fetal e registrar no prontuário que se trata de suspeita, não de diagnóstico.
  • Sustentar, com base nas diretrizes, que a suspeita de peso fetal elevado não indica por si só cesárea ou indução, e recolocar a decisão no campo do plano de parto e da escolha informada.
  • Preparar a assistência ao nascimento para o cenário de distocia de ombro, com equipe treinada nas manobras, e antecipar a vigilância de hipoglicemia neonatal e de hemorragia pós-parto.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra protege a mulher do diagnóstico antecipado de bebê grande demais, que costuma chegar antes de qualquer evidência e sai caro em confiança e em cesáreas, mantém a vigilância técnica para distocia de ombro e sustenta a decisão compartilhada sobre a via de nascimento.

O que dizem as evidências

As diretrizes brasileiras e a OMS não recomendam indução do parto nem cesárea com base isolada em suspeita ultrassonográfica de macrossomia, pela baixa acurácia da estimativa de peso fetal. A conduta prioritária é o controle glicêmico materno e o preparo da equipe para a distocia de ombro.

Fonte

Ministério da Saúde (Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal; Protocolo de Diabetes Mellitus Gestacional MS/FEBRASGO/SBD); FEBRASGO; OMS (Recomendações para Cuidados Intraparto, 2018); COFEN 516/2016; Sociedade Brasileira de Pediatria.