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Distocia de ombro

Também conhecido como distócia de ombros, impactação do ombro fetal.

Distocia de ombro é a emergência obstétrica em que, após a saída do polo cefálico, o ombro fetal fica impactado e exige manobras específicas para liberação.

Definição clínica

A distocia de ombro é uma emergência obstétrica imprevisível que ocorre quando, após o desprendimento do polo cefálico, o ombro anterior do feto fica impactado atrás da sínfise púbica materna (ou, menos comumente, o ombro posterior no promontório sacral), impedindo o desprendimento espontâneo do tronco com a tração axial habitual. Caracteriza-se pela necessidade de manobras obstétricas adicionais para liberar os ombros e completar o parto. Um sinal clínico clássico é o sinal da tartaruga : a cabeça fetal desprende-se e retrai-se contra o períneo, e a rotação externa não ocorre espontaneamente. É uma situação tempo-dependente, pois o intervalo prolongado entre o desprendimento da cabeça e do corpo aumenta o risco de hipóxia e acidemia fetal. Entre os fatores associados estão a macrossomia fetal, o diabetes (gestacional ou prévio), a obesidade materna, o ganho ponderal excessivo, o trabalho de parto prolongado e o antecedente de distocia de ombro. Contudo, a maioria dos casos ocorre em fetos sem macrossomia e sem fatores de risco identificáveis, o que reforça seu caráter imprevisível. Complicações fetais/neonatais: lesão do plexo braquial, fratura de clavícula ou úmero, asfixia perinatal. Complicações maternas: hemorragia pós-parto, lacerações perineais graves e lesão esfincteriana.

Na assistência

Antecipar e nomear a emergência: ao identificar o sinal da tartaruga e a ausência de rotação externa, comunicar em voz alta a suspeita de distocia de ombro e acionar imediatamente a equipe e o cronômetro. Iniciar a manobra de McRoberts: hiperflexão das coxas da parturiente sobre o abdome, primeira linha de conduta por ser pouco invasiva e frequentemente resolutiva. Associar pressão suprapúbica: aplicada por um segundo profissional, nunca pressão fúndica, que agrava a impactação. Evitar tração excessiva e flexão lateral: manter tração axial suave da cabeça, sem flexão ou tração lateral, para reduzir o risco de lesão do plexo braquial. Documentar tempo, sequência de manobras e desfecho com precisão no prontuário. Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra treina a sequência de manobras em simulação periódica, prioriza as manobras menos invasivas antes das internas, registra cronologia detalhada e atua de forma articulada com a equipe médica, sempre dentro do escopo da Resolução COFEN 516/2016 e acionando suporte neonatal preventivamente.

O que dizem as evidências

As diretrizes vigentes recomendam o reconhecimento imediato e a abordagem sistematizada por etapas, iniciando pela manobra de McRoberts associada à pressão suprapúbica, com tração axial suave e proibição absoluta da pressão fúndica. Recomenda-se treinamento periódico em simulação de toda a equipe e acionamento precoce do suporte neonatal.

Fonte

FEBRASGO; Ministério da Saúde (Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal); OMS 2018 (Intrapartum care for a positive childbirth experience); Sociedade Brasileira de Pediatria (reanimação neonatal); COFEN 516/2016.