Diabetes gestacional é a intolerância à glicose diagnosticada pela primeira vez durante a gestação, com graus variados de hiperglicemia.
Definição clínica
O diabetes mellitus gestacional (DMG) é a hiperglicemia detectada pela primeira vez na gravidez, em geral a partir do segundo trimestre, resultante da resistência à insulina fisiológica da gestação somada a uma capacidade pancreática insuficiente de compensá-la. Distingue-se do diabetes prévio não diagnosticado, em que os valores já preenchem critérios de diabetes fora da gestação (ex.: glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL). O rastreamento segue o protocolo MS/FEBRASGO/SBD: Glicemia de jejum no 1º trimestre: valores entre 92 e 125 mg/dL diagnosticam DMG; TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas: DMG se jejum ≥ 92, 1h ≥ 180 ou 2h ≥ 153 mg/dL. Quando mal controlado, associa-se a macrossomia, distocia de ombro, prematuridade, hipoglicemia neonatal, pré-eclâmpsia e risco materno futuro de diabetes tipo 2.
Na assistência
No pré-natal conduzido ou compartilhado pela EO, o DMG é manejo cotidiano. Na prática, deve: Garantir o rastreamento no tempo certo (glicemia de jejum no 1º trimestre e TOTG entre 24-28 semanas); Identificar fatores de risco: idade ≥ 35 anos, sobrepeso/obesidade, história familiar, DMG ou macrossomia anterior, SOP; Orientar o manejo não farmacológico de primeira linha: plano alimentar e atividade física; Educar para o automonitoramento glicêmico e reconhecer quando as metas não são atingidas; Encaminhar ao pré-natal de alto risco quando indicado; Orientar a reclassificação glicêmica pós-parto (TOTG entre 6 e 12 semanas). Protocolo IPDP: a EO traduz o diagnóstico em mudança de hábito, fator que determina o controle glicêmico e o desfecho da gestação.
O que dizem as evidências
O manejo inicial deve basear-se em orientação nutricional e atividade física; a terapia farmacológica, preferencialmente insulina, é indicada quando as metas glicêmicas não são alcançadas.