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Hipoglicemia neonatal

Também conhecido como hipoglicemia do recém-nascido, baixa glicemia neonatal, hipoglicemia transicional do neonato.

Concentração de glicose no sangue do recém-nascido abaixo do limite considerado seguro para a idade em horas de vida, com risco de repercussão neurológica quando persistente.

Definição clínica

A hipoglicemia neonatal é a redução da concentração sanguínea de glicose no recém-nascido (RN) abaixo do valor considerado seguro para a idade em horas de vida. Não existe um número único universalmente aceito: os limiares variam entre diretrizes e conforme a idade pós-natal e a presença de sintomas, e por isso a interpretação deve seguir o protocolo institucional em vez de um valor isolado memorizado.

É preciso distinguir a queda transicional fisiológica, que ocorre nas primeiras uma a duas horas de vida em todo RN, da hipoglicemia persistente ou sintomática, que exige investigação e conduta. Ao nascer, cessa a oferta contínua de glicose materna e o RN mobiliza glicogênio hepático, gordura e corpos cetônicos até estabilizar a glicemia, o que ocorre em geral nas primeiras horas com a amamentação em livre demanda. Essa queda inicial é esperada e não caracteriza doença.

Os principais grupos de risco são: RN de mãe com diabetes gestacional ou diabetes prévio; RN pequeno para a idade gestacional (PIG) e com restrição de crescimento intrauterino, por reserva reduzida de glicogênio; RN grande para a idade gestacional (GIG) e com macrossomia fetal, por hiperinsulinismo; prematuros, especialmente o prematuro tardio entre 34 e 36 semanas e 6 dias; RN com hipotermia, policitemia, asfixia perinatal, sepse, cardiopatia, síndromes genéticas e exposição materna a betabloqueadores ou hipoglicemiantes.

Os sinais clínicos são inespecíficos e podem estar completamente ausentes. Quando presentes, incluem tremores, irritabilidade, hipotonia, letargia, sucção débil, recusa alimentar, choro fraco ou agudo, apneia, cianose, instabilidade térmica e, em quadros graves, convulsão. Como os mesmos sinais aparecem em sepse, hipotermia e distúrbios eletrolíticos, o rastreamento se baseia em fator de risco ou sintoma, e não em rotina universal.

Este é um ponto de intervenção desnecessária frequente: a glicemia capilar de rotina em RN a termo, saudável e assintomático, sem fator de risco, não é indicada. A triagem indiscriminada gera punções repetidas, separação do binômio, interrupção da primeira hora de contato pele a pele e complementação com fórmula sem necessidade, prejudicando o estabelecimento do aleitamento. A prevenção mais efetiva é o contato pele a pele imediato, o controle térmico e a amamentação na primeira hora, mantida em livre demanda.

Na assistência

  • Identificar ainda no pré-natal e na admissão os fatores de risco maternos e fetais para hipoglicemia neonatal e sinalizar o caso para a equipe da sala de parto.
  • Garantir contato pele a pele imediato, controle térmico e primeira mamada na primeira hora de vida, medidas que reduzem o risco em todos os RN.
  • Realizar glicemia capilar apenas nos RN de grupo de risco, conforme o intervalo definido em protocolo institucional, ou diante de sinais clínicos sugestivos, evitando triagem universal em RN a termo assintomático.
  • Diante de valor baixo em RN assintomático, ofertar mama ou leite humano ordenhado, manter o binômio junto, aquecer e repetir a medida conforme protocolo antes de escalonar a conduta.
  • Acionar imediatamente a equipe médica nos RN sintomáticos, com valores muito baixos, com recorrência apesar da alimentação ou com convulsão, mantendo registro dos valores e horários.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra sustenta a prevenção pela fisiologia, protegendo a primeira hora, o contato pele a pele e a amamentação precoce, restringe a punção capilar às indicações reais, evita a complementação sem indicação clínica e comunica à família o motivo de cada medida realizada.

O que dizem as evidências

A Sociedade Brasileira de Pediatria e o Ministério da Saúde recomendam rastrear hipoglicemia apenas em recém-nascidos com fatores de risco ou com sinais clínicos, e não em todo recém-nascido a termo saudável. A prevenção prioritária é o contato pele a pele imediato com controle térmico e amamentação na primeira hora, mantendo o binômio junto e evitando complementação sem indicação.

Fonte

Sociedade Brasileira de Pediatria (Atenção ao Recém-Nascido de Risco; documentos sobre hipoglicemia neonatal); Ministério da Saúde (Atenção à Saúde do Recém-Nascido, Guia para os Profissionais de Saúde); OMS/UNICEF (Iniciativa Hospital Amigo da Criança); FEBRASGO; COFEN 516/2016