Cesárea
Também conhecido como Cesariana, Operação cesariana, Parto cesáreo, Cesárea segmentar.
Cirurgia para nascimento do feto por incisão no abdome e útero materno, indicada quando o parto vaginal oferece risco à mãe ou ao bebê.
Definição clínica
A cesárea (ou cesariana) é um procedimento cirúrgico de nascimento no qual o feto, a placenta e as membranas são extraídos por meio de incisões na parede abdominal (laparotomia) e no útero (histerotomia) maternos. A técnica mais utilizada é a histerotomia segmentar transversa baixa, associada a menor morbidade hemorrágica e melhor cicatrização em comparação à incisão corporal clássica. Trata-se de intervenção destinada a situações em que o parto vaginal representa risco materno ou fetal, devendo ser realizada por indicação clínica fundamentada e não como via de nascimento de rotina. As indicações classificam-se em: Absolutas: desproporção cefalopélvica, placenta prévia oclusiva, prolapso de cordão, situação transversa em trabalho de parto, sofrimento fetal agudo e algumas cicatrizes uterinas prévias. Relativas: apresentação pélvica, gestação múltipla em condições específicas e falha de progressão do trabalho de parto. A cesárea pode ser eletiva (programada antes do início do trabalho de parto) ou de urgência/emergência (quando há risco iminente). Embora segura quando bem indicada, é cirurgia de grande porte e associa-se a maiores riscos de hemorragia, infecção, eventos tromboembólicos e complicações em gestações futuras, como acretismo placentário e rotura uterina. A decisão deve ser compartilhada com a gestante, respeitando o consentimento informado e o direito à informação sobre benefícios e riscos.
Na assistência
Aplicação Clínica para a Enfermeira Obstetra: Acolher a gestante e oferecer informação clara sobre indicação, anestesia e pós-operatório, assegurando o consentimento livre e esclarecido. Conferir checklist de segurança cirúrgica, jejum, acesso venoso, tipagem sanguínea e profilaxia antibiótica conforme protocolo institucional. Monitorar sinais vitais, perdas sanguíneas, tônus uterino e diurese no intra e pós-operatório, identificando precocemente hemorragia ou infecção. Favorecer o contato pele a pele e a amamentação na primeira hora sempre que mãe e recém-nascido estiverem estáveis. Orientar deambulação precoce, cuidados com a ferida operatória e sinais de alerta para a alta. Protocolo IPDP: na cesárea, a enfermeira obstetra atua como guardiã das boas práticas, garantindo que mesmo na via cirúrgica sejam preservados o acompanhante, o clampeamento oportuno do cordão e o aleitamento precoce, reduzindo a separação mãe-bebê e humanizando o nascimento.
O que dizem as evidências
A OMS e o Ministério da Saúde recomendam que a cesárea seja realizada apenas por indicação clínica, evitando procedimentos sem necessidade. A OMS reafirma que o esforço deve concentrar-se em assegurar a cesárea a quem dela necessita, e não em atingir uma taxa-alvo; no nível populacional, taxas acima de cerca de 10 por cento não se associam a redução adicional da mortalidade materna e neonatal.