Todo o glossário

Desmame

Também conhecido como Interrupção do aleitamento materno, Cessação da amamentação, Desmame do peito.

Processo de transição que vai da introdução de outros alimentos até a última mamada, encerrando o aleitamento materno de forma natural, gradual ou precoce.

Definição clínica

O desmame é o processo pelo qual a criança deixa progressivamente de mamar no peito, iniciando na introdução de qualquer outro alimento e terminando na última mamada. Não é um evento único, e sim um período de transição que envolve a criança, a mulher e o contexto de vida da família.

A recomendação da OMS, adotada pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria, é de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida e manutenção do aleitamento, com alimentação complementar adequada, até os 2 anos de idade ou mais. Essa é a referência populacional; o percurso de cada dupla é individual.

As formas principais são:

  • Desmame natural: conduzido pela criança, que reduz espontaneamente as mamadas ao longo de meses conforme amplia a alimentação e a autonomia; costuma ocorrer de forma tranquila para a mama, por redução gradual do estímulo;
  • Desmame gradual planejado: conduzido pela mulher, com retirada de uma mamada por vez, respeitando intervalos de vários dias entre cada retirada;
  • Desmame precoce: interrupção antes dos 6 meses de vida, frequentemente associada a dor mamilar, percepção de leite insuficiente, retorno ao trabalho, ausência de rede de apoio, intercorrências clínicas e orientação inadequada;
  • Desmame por indicação clínica: situações específicas, como infecção materna por HIV ou HTLV e uso de medicamentos incompatíveis com a lactação, avaliadas caso a caso.

O manejo do desmame importa tanto quanto a decisão. A retirada abrupta de várias mamadas gera acúmulo de leite e aumenta o risco de ingurgitamento, bloqueio de ductos e mastite. A conduta protetora é retirar uma mamada por vez, aguardar de 3 a 7 dias antes da retirada seguinte, e realizar ordenha de alívio apenas até o conforto, sem esvaziar a mama por completo, para que a produção diminua de forma progressiva. Sinais de alerta, como área endurecida, hiperemia localizada, febre e mal-estar, precisam ser reconhecidos pela mulher.

O aspecto emocional é parte do processo. Podem ocorrer tristeza, sensação de perda ou ambivalência, tanto no desmame planejado quanto no forçado pelas circunstâncias. Desmamar por necessidade, por trabalho, por saúde ou por esgotamento não é falha materna, e o cuidado profissional não comporta juízo sobre essa decisão.

Na assistência

  • Investigar o motivo antes de aceitar o desmame como decisão fechada, oferecendo manejo para dor, percepção de leite insuficiente e organização da rotina de trabalho.
  • Orientar a retirada de uma mamada por vez, com intervalo de 3 a 7 dias entre cada retirada, substituindo por alimentação adequada à idade.
  • Ensinar a ordenha de alívio até o conforto, sem esvaziamento completo, para reduzir a produção de forma progressiva e prevenir ingurgitamento.
  • Orientar os sinais de alerta de bloqueio de ductos e mastite e o que fazer diante deles, com contato de referência do serviço.
  • Acolher a repercussão emocional da mulher e da criança, sem emitir juízo sobre o momento ou o motivo da decisão.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra oferece informação completa sobre a recomendação de aleitamento até os 2 anos ou mais e sobre as alternativas de manejo, e sustenta a decisão informada da mulher qualquer que seja ela; o desmame é acompanhado tecnicamente, com prevenção ativa de ingurgitamento e mastite, e nunca convertido em avaliação moral do cuidado materno.

O que dizem as evidências

OMS, Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e continuado, com alimentação complementar, até os 2 anos de idade ou mais. Quando o desmame ocorre, a orientação é que seja gradual, com retirada de uma mamada por vez e ordenha de alívio, para reduzir o risco de ingurgitamento e mastite.

Fonte

Ministério da Saúde (Caderno de Atenção Básica nº 23 - Saúde da Criança: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar; Guia Alimentar para Crianças Menores de 2 Anos); OMS (recomendação de aleitamento materno exclusivo até 6 meses e continuado até 2 anos ou mais); Sociedade Brasileira de Pediatria (Departamento de Aleitamento Materno); COFEN 516/2016.