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Ingurgitamento mamário

Também conhecido como Ingurgitamento mamário patológico, Mama empedrada, Leite empedrado, Estase láctea.

Distensão dolorosa das mamas no início da lactação, por acúmulo de leite, edema e congestão vascular, que dificulta a pega e o esvaziamento.

Definição clínica

O ingurgitamento mamário é a distensão tensa e dolorosa das mamas que ocorre tipicamente entre o 3º e o 5º dia após o parto, durante a fase de transição entre o colostro e a apojadura (descida do leite), mas pode aparecer também como sinal de outras complicações. Resulta da combinação de três fatores: acúmulo de leite (estase láctea), aumento da vascularização e edema dos tecidos por congestão linfática. Distingue-se do enchimento fisiológico, em que a mama fica cheia mas o leite flui livremente. No quadro patológico, a mama apresenta-se tensa, brilhante, edemaciada, dolorosa e por vezes com hiperemia difusa; a aréola fica endurecida, dificultando a pega do recém-nascido, e pode haver elevação transitória da temperatura. O ingurgitamento não tratado favorece a estase, o bloqueio de ductos e a evolução para mastite, além de comprometer a transferência de leite e a manutenção do aleitamento. Causas frequentes: esvaziamento infrequente ou ineficaz, pega inadequada, horários rígidos de mamada e separação mãe-bebê. Sinais de alerta: diferenciar do quadro infeccioso (mastite), que costuma ter dor localizada, área eritematosa delimitada, febre e sintomas sistêmicos. O manejo baseia-se em amamentação em livre demanda, esvaziamento eficaz e medidas de conforto, conforme orientações do Ministério da Saúde, da OMS, da FEBRASGO e da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Na assistência

Avaliar mama, aréola e mamilo, diferenciando enchimento fisiológico, ingurgitamento e mastite, e investigar a pega e a frequência das mamadas. Estimular a amamentação em livre demanda, sem restrição de horários, mantendo mãe e bebê juntos para favorecer o esvaziamento. Antes da mamada, realizar massagem suave para facilitar a ejeção; após, usar compressas frias para reduzir o edema e a dor, conforme protocolo local. Realizar ordenha manual da aréola para amaciá-la (técnica de pressão reversa suave) e permitir a pega quando a tensão impede o bebê de abocanhar. Corrigir a pega, orientar sinais de alerta para mastite e reavaliar precocemente. Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra atua de forma preventiva e educativa, antecipando o ingurgitamento desde a primeira hora com pega correta e livre demanda, validando o desconforto da mulher e sustentando a continuidade do aleitamento sem recorrer ao desmame como solução.

O que dizem as evidências

OMS, Ministério da Saúde e FEBRASGO recomendam, como conduta de primeira linha para o ingurgitamento, a manutenção do aleitamento em livre demanda com esvaziamento eficaz da mama, associada a medidas de conforto, evitando o desmame.

Fonte

Ministério da Saúde (Saúde da Criança: Aleitamento Materno; Caderneta da Gestante); OMS 2017; FEBRASGO; COFEN 516/2016; Sociedade Brasileira de Pediatria (temas neonatais).