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Pega correta

Também conhecido como Pega adequada, Boa pega, Apreensão correta da mama, Latch.

Apreensão eficaz da mama em que o bebê abocanha mamilo e a maior parte da aréola, permitindo sucção eficiente e indolor durante a amamentação.

Definição clínica

A pega correta é a forma adequada como o recém-nascido apreende a mama durante a amamentação, abocanhando o mamilo e grande parte da aréola, sobretudo na porção inferior, de modo a comprimir os seios lactíferos e extrair o leite de maneira eficiente. É um dos pilares do aleitamento materno bem-sucedido, pois condiciona a transferência adequada de leite, o ganho ponderal do bebê e a prevenção de complicações maternas. São sinais clássicos de boa pega: Boca bem aberta, com o lábio inferior evertido (virado para fora). Queixo tocando a mama e narinas livres para respirar. Mais aréola visível acima do que abaixo da boca do bebê. Bochechas arredondadas (não encovadas) durante a sucção. Sucção lenta e profunda, com pausas e deglutição audível. Ausência de dor e de lesão mamilar para a mãe. A pega incorreta, em que o bebê apreende apenas o mamilo, está associada a fissuras mamilares, dor, ingurgitamento, esvaziamento ineficaz da mama, baixa transferência de leite e risco aumentado de desmame precoce. A avaliação da pega deve ser sempre conjunta com a do posicionamento do binômio (corpo do bebê alinhado, voltado e próximo ao da mãe), pois posicionamento e pega são interdependentes e influenciam diretamente a efetividade da mamada.

Na assistência

Observe uma mamada completa antes de intervir, avaliando posicionamento e pega de forma integrada e respeitando a díade. Oriente o posicionamento: corpo do bebê alinhado, barriga voltada para a mãe, cabeça e tronco no mesmo eixo e rosto de frente para a mama. Estimule a abertura ampla da boca tocando o mamilo no lábio superior do bebê antes da apreensão. Verifique os sinais de boa pega: lábio inferior evertido, queixo na mama, mais aréola visível acima e deglutição audível. Se houver dor ou pega apenas no mamilo, interrompa com o dedo mínimo na comissura labial e reposicione. Registre a avaliação e oriente a mãe sobre autoavaliação em domicílio. Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra deve avaliar e documentar a pega ainda na primeira hora e a cada turno durante a internação, oferecer apoio prático presencial e individualizado a cada mamada nas primeiras 24 horas e encaminhar precocemente para acompanhamento em lactação os casos de dor persistente, fissura ou baixo ganho ponderal.

O que dizem as evidências

OMS, Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam avaliar rotineiramente pega e posicionamento como parte do apoio ao aleitamento materno, corrigindo a técnica sempre que houver dor, lesão mamilar ou transferência ineficaz de leite, de modo a sustentar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses.

Fonte

Ministério da Saúde (Saúde da Criança: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar); OMS/UNICEF (Iniciativa Hospital Amigo da Criança; aconselhamento em amamentação); FEBRASGO; Sociedade Brasileira de Pediatria; COFEN 516/2016