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Sulfato de magnésio

Também conhecido como Sulfato de magnésio heptaidratado, Magnesioterapia, Sulfatação, MgSO4.

Fármaco de escolha para prevenir e tratar a crise convulsiva da eclâmpsia e para neuroproteção fetal na prematuridade, com necessidade de monitorização rigorosa da toxicidade.

Definição clínica

O sulfato de magnésio é o fármaco de escolha para a prevenção e o tratamento da crise convulsiva nas síndromes hipertensivas da gestação. O íon magnésio atua como antagonista do cálcio na junção neuromuscular e no sistema nervoso central, bloqueando receptores NMDA, estabilizando a membrana neuronal, reduzindo o vasoespasmo cerebral e elevando o limiar convulsivo. Não é um anti-hipertensivo: não substitui o tratamento da hipertensão grave, que segue conduta própria.

Tem duas finalidades distintas em obstetrícia:

  • Neuroproteção materna, na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, na síndrome HELLP e no tratamento e na prevenção da recorrência da crise na eclâmpsia instalada;
  • Neuroproteção fetal, quando há parto prematuro iminente em idade gestacional precoce, com redução do risco de paralisia cerebral e de disfunção motora grave no recém-nascido.

A janela terapêutica é estreita, e a toxicidade tem progressão previsível: primeiro ocorre a abolição do reflexo patelar, depois a depressão respiratória e, por fim, a parada cardíaca. Como o magnésio tem eliminação renal, a oligúria é fator de risco direto de acúmulo e intoxicação. Por isso, a tríade de vigilância obrigatória durante toda a magnesioterapia é: presença do reflexo patelar, frequência respiratória preservada e diurese adequada. Sonolência excessiva, fala arrastada, rubor, náusea e sensação de calor são sinais de alerta que exigem reavaliação imediata.

O antídoto é o gluconato de cálcio por via intravenosa, que deve estar disponível e imediatamente acessível à beira do leito durante toda a infusão, junto com material de suporte ventilatório. Diante de reflexo patelar abolido, bradipneia ou queda importante do débito urinário, a conduta é suspender a infusão e comunicar a equipe médica de imediato.

O sulfato de magnésio não é indicado para gestante hipertensa sem critérios de gravidade nem como tocolítico de rotina para inibir trabalho de parto prematuro: seu uso na prematuridade é neuroprotetor, com indicação e janela definidas, e não de inibição contrátil.

Na assistência

  • Preparar e administrar o esquema exclusivamente sob prescrição médica e protocolo institucional, em bomba de infusão, com acesso venoso calibroso exclusivo e material de suporte ventilatório checado.
  • Verificar o reflexo patelar, a frequência respiratória e o nível de consciência em intervalos regulares definidos em protocolo, registrando cada avaliação em impresso próprio de monitorização.
  • Manter controle rigoroso da diurese, com sondagem vesical de demora quando indicado, e valorizar a queda do débito urinário como sinal precoce de risco de acúmulo do magnésio.
  • Suspender imediatamente a infusão e acionar a equipe médica diante de reflexo patelar abolido, bradipneia, sonolência profunda ou oligúria, mantendo o gluconato de cálcio disponível à beira do leito como antídoto.
  • Preparar o ambiente para a crise convulsiva: leito com grades protegidas, aspiração testada, oxigênio disponível, luz reduzida e ruído mínimo, além de orientar a mulher e o acompanhante sobre as sensações esperadas, como calor e rubor.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra é a principal responsável pela vigilância da toxicidade durante toda a magnesioterapia; documenta reflexo, respiração e diurese em cada checagem, garante a presença física do antídoto antes de iniciar a infusão, comunica precocemente qualquer sinal de intoxicação e mantém a mulher e o acompanhante informados, sem abandonar o cuidado centrado na pessoa em meio à gravidade do quadro.

O que dizem as evidências

A OMS, o Ministério da Saúde e a FEBRASGO indicam o sulfato de magnésio como fármaco de primeira escolha para prevenção e tratamento da eclâmpsia, superior a diazepam e fenitoína, e recomendam seu uso para neuroproteção fetal quando há parto prematuro iminente em idade gestacional precoce. A monitorização clínica da toxicidade é obrigatória.

Fonte

Ministério da Saúde (Manual de Gestação de Alto Risco); FEBRASGO (Pré-eclâmpsia); OMS (Recomendações para Prevenção e Tratamento da Pré-eclâmpsia e da Eclâmpsia); OMS (Recomendações para Melhorar os Desfechos do Parto Prematuro); COFEN 516/2016