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Índice de Bishop

Também conhecido como escore de Bishop, escala de Bishop, índice de maturação cervical.

Escore obtido ao toque vaginal que pontua cinco características do colo uterino e da altura fetal para avaliar se o colo está favorável ao trabalho de parto.

Definição clínica

O índice de Bishop é o escore clínico que quantifica as condições do colo uterino e a altura da apresentação fetal a partir do toque vaginal, com o objetivo de estimar se o colo está favorável ao desencadeamento do trabalho de parto. É o instrumento usado para orientar a decisão entre preparo cervical e indução propriamente dita, e para dimensionar a probabilidade de sucesso quando a indução está indicada.

São cinco parâmetros pontuados, três deles de 0 a 3 pontos e dois de 0 a 2 pontos, com total possível de 13:

  • Dilatação do colo: 0 cm vale 0; 1 a 2 cm vale 1; 3 a 4 cm vale 2; 5 cm ou mais vale 3.
  • Apagamento do colo: 0 a 30 por cento vale 0; 40 a 50 por cento vale 1; 60 a 70 por cento vale 2; 80 por cento ou mais vale 3.
  • Altura da apresentação, em planos de DeLee: menos 3 vale 0; menos 2 vale 1; menos 1 ou zero vale 2; mais 1 ou mais 2 vale 3.
  • Consistência do colo: firme vale 0; intermediária vale 1; amolecido vale 2.
  • Posição do colo: posterior vale 0; central vale 1; anterior vale 2.

A leitura usual é direta: escore igual ou menor que 6 caracteriza colo desfavorável, situação em que a indução sem preparo prévio associa-se a maior duração do processo e a maior chance de cesariana, e em que se indica método de amadurecimento cervical, farmacológico ou mecânico. Escore igual ou maior que 9 caracteriza colo favorável, com boa probabilidade de resposta e possibilidade de indução com ocitocina, associada ou não à amniotomia. Valores de 7 a 8 ocupam a faixa intermediária, em que a decisão depende da paridade, da indicação da indução e da avaliação conjunta com a mulher.

O escore avalia o colo, não a indicação. Um colo favorável não é, por si, motivo para induzir o parto, assim como um colo desfavorável não é indicação de cesariana. A conduta parte da razão clínica que motivou considerar a indução, e o Bishop apenas informa como e com que expectativa conduzir. A pontuação também depende do examinador, sobretudo nos itens de consistência e posição, o que reforça o registro de quem avaliou e quando.

Na assistência

  • Aplicar o escore apenas quando houver indicação clínica formal de indução ou de avaliação da maturação cervical, e não como rotina de admissão.
  • Pontuar os cinco parâmetros ao toque, registrando o valor de cada item e não somente o total, com identificação do examinador e do horário.
  • Reconhecer o colo desfavorável como situação que demanda preparo cervical antes da ocitocina, articulando a conduta com a equipe médica.
  • Explicar à mulher o significado do escore, as opções de condução e a alternativa de conduta expectante quando ela é clinicamente possível.
  • Reavaliar o escore após o método de preparo cervical, antes de indicar amniotomia ou de iniciar infusão de ocitocina.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra usa o índice de Bishop como instrumento de decisão compartilhada e não como gatilho automático de indução, documenta cada parâmetro para permitir comparação entre avaliações, sustenta o preparo cervical adequado antes da ocitocina no colo desfavorável e mantém a indicação clínica, e não o escore isolado, como fundamento da conduta.

O que dizem as evidências

OMS e FEBRASGO recomendam avaliar as condições cervicais pelo índice de Bishop antes de qualquer indução, indicando método de amadurecimento cervical quando o colo é desfavorável e reservando a ocitocina, associada ou não à amniotomia, para o colo favorável; a indução deve ter indicação clínica definida e decisão compartilhada.

Fonte

Ministério da Saúde (Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, 2017); FEBRASGO; OMS (Recomendações para Indução do Trabalho de Parto); COFEN 516/2016