Hormônio peptídico produzido no hipotálamo que estimula as contrações uterinas e a ejeção do leite; usado como uterotônico no parto e puerpério.
Definição clínica
A ocitocina é um hormônio peptídico de nove aminoácidos sintetizado nos núcleos supraóptico e paraventricular do hipotálamo e liberado pela neuro-hipófise. Atua sobre receptores específicos no miométrio e nas células mioepiteliais da mama, promovendo contração uterina e o reflexo de ejeção do leite. Sua liberação endógena é estimulada pela distensão do colo e da vagina (reflexo de Ferguson) e pela sucção mamária. Em obstetrícia, a forma sintética é amplamente empregada como uterotônico com três indicações principais: Indução e condução do trabalho de parto , por infusão intravenosa controlada e titulada; Prevenção e tratamento da hemorragia pós-parto , como agente de primeira linha no manejo ativo do terceiro período; Apoio à involução uterina no pós-parto imediato. A sensibilidade do útero à ocitocina aumenta ao longo da gestação, atingindo o pico próximo ao termo, devido ao aumento da expressão de receptores miometriais. Doses excessivas ou infusão sem monitorização podem causar taquissistolia, hipertonia uterina e sofrimento fetal, além de efeito antidiurético com risco de intoxicação hídrica em infusões prolongadas. Por isso, seu uso exige protocolo institucional, bomba de infusão e vigilância contínua do bem-estar materno-fetal. A meia-vida curta permite ajuste rápido da dose conforme a resposta contrátil.
Na assistência
Confira a prescrição, a diluição e a concentração antes de iniciar; administre sempre por bomba de infusão, nunca em bolus para condução do parto. Inicie em dose baixa e titule conforme a resposta uterina, registrando a dinâmica em partograma. Monitore continuamente os batimentos cardiofetais e a contratilidade; suspenda a infusão diante de taquissistolia ou alterações de frequência cardíaca fetal. Controle o balanço hídrico em infusões prolongadas, atenta a sinais de intoxicação hídrica. No manejo do terceiro período, prepare a ocitocina para administração logo após o desprendimento fetal, conforme protocolo. Protocolo IPDP: documente horário, dose e resposta a cada ajuste; comunique imediatamente o obstetra diante de hipertonia, padrão fetal não tranquilizador ou ausência de progressão, e mantenha a parturiente informada e participativa nas decisões, alinhada às boas práticas do parto humanizado.
O que dizem as evidências
A OMS, o Ministério da Saúde e a FEBRASGO recomendam o uso criterioso e titulado da ocitocina, evitando indução ou condução de rotina sem indicação clínica, e a indicam como uterotônico de primeira linha no manejo ativo do terceiro período do parto para prevenção da hemorragia pós-parto.