Espaços membranosos entre os ossos do crânio fetal e neonatal que permitem moldagem cefálica no parto e o crescimento encefálico.
Definição clínica
As fontanelas são áreas membranosas localizadas nos pontos de encontro das suturas cranianas do feto e do recém-nascido, onde os ossos do crânio ainda não estão completamente ossificados. Constituídas por tecido fibroso resistente, conferem ao polo cefálico flexibilidade fisiológica, permitindo a moldagem (cavalgamento ósseo) durante a passagem pelo canal de parto e acomodando o rápido crescimento encefálico nos primeiros meses de vida. O crânio fetal apresenta duas fontanelas principais de relevância obstétrica: Fontanela anterior (bregmática): de formato losangular, situada na junção das suturas sagital, coronal e frontal. É a maior e fecha-se mais tardiamente. Fontanela posterior (lambdoide): de formato triangular, situada na junção das suturas sagital e lambdoide. É menor e fecha-se precocemente. Durante o trabalho de parto, a palpação das fontanelas e suturas no toque vaginal é fundamental para determinar a apresentação, a posição e a variedade de posição do polo cefálico, orientando o diagnóstico do mecanismo de parto. No período neonatal, a avaliação das fontanelas integra o exame físico: fontanela tensa ou abaulada pode sugerir hipertensão intracraniana, enquanto fontanela deprimida pode indicar desidratação. O fechamento ocorre em tempos variáveis ao longo dos primeiros meses a anos de vida, conforme o desenvolvimento ósseo.
Na assistência
No toque vaginal durante o trabalho de parto, localize a fontanela posterior (triangular) para confirmar apresentação cefálica fletida e identificar a variedade de posição, evitando confundir com a anterior (losangular). Avalie o grau de moldagem e o cavalgamento de suturas como sinais de adaptação ou de possível desproporção, registrando a evolução no partograma. No exame do recém-nascido, palpe as fontanelas com o bebê calmo e em posição neutra, descrevendo tensão, abaulamento ou depressão sem inferir diagnósticos isoladamente. Oriente a família de que a moleira é normal, protegida por membrana resistente, e que a higiene habitual não a lesiona. Protocolo IPDP: integre a leitura das fontanelas ao raciocínio clínico do mecanismo de parto e, no pós-nascimento, articule achados anormais com avaliação médica, dentro das competências da enfermeira obstetra e do trabalho em equipe.
O que dizem as evidências
As diretrizes vigentes recomendam que a identificação de fontanelas e suturas ao toque vaginal seja usada para determinar posição e variedade do polo cefálico, e que a avaliação neonatal das fontanelas integre o exame físico de rotina do recém-nascido.