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Gravidez ectópica

Também conhecido como Gestação ectópica, Gravidez tubária, Prenhez ectópica, Gestação extrauterina.

Implantação do embrião fora da cavidade uterina, mais frequentemente na tuba uterina, condição de urgência pelo risco de rotura e hemorragia intra-abdominal.

Definição clínica

A gravidez ectópica é a implantação do blastocisto fora da cavidade endometrial. A localização tubária é a mais frequente, especialmente na porção ampular, mas existem implantações no istmo, na porção intersticial, no ovário, no colo uterino, na cicatriz de cesárea e na cavidade abdominal. É condição de urgência obstétrica porque o local de implantação não suporta o crescimento trofoblástico e pode romper, provocando hemorragia intra-abdominal de instalação rápida.

Entre os fatores associados estão antecedente de doença inflamatória pélvica, infecção por clamídia, cirurgia tubária prévia, gravidez ectópica anterior, endometriose, tabagismo, reprodução assistida e uso de dispositivo intrauterino no momento da concepção, situação em que a gestação é rara mas, quando ocorre, tem maior chance de ser ectópica.

O quadro clínico clássico reúne atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal, mas essa tríade completa não está presente em todos os casos. Devem ser considerados sinais e sintomas:

  • Dor pélvica ou abdominal, geralmente unilateral, de intensidade variável e por vezes referida ao ombro quando há irritação diafragmática por hemoperitônio.
  • Sangramento vaginal de pequeno volume, escuro, intermitente, que a mulher pode confundir com menstruação atrasada.
  • Sinais de instabilidade: palidez, taquicardia, hipotensão, lipotimia e abdome em defesa, que indicam rotura e exigem conduta imediata.

O diagnóstico apoia-se na dosagem seriada de beta-HCG associada à ultrassonografia transvaginal, que busca a ausência de saco gestacional intrauterino compatível com o nível hormonal e a presença de massa anexial ou líquido livre. O tratamento pode ser expectante em casos selecionados, medicamentoso com metotrexato quando há critérios de elegibilidade, ou cirúrgico, conservador ou radical, definido pela estabilidade hemodinâmica e pelas condições anatômicas. É preciso afirmar com clareza: dor abdominal em mulher em idade fértil com atraso menstrual exige exclusão de gravidez ectópica antes de qualquer outra hipótese, e a espera por melhora espontânea não é conduta aceitável. Após o tratamento, o seguimento com beta-HCG até negativação é obrigatório, e a mulher precisa de apoio para o luto da perda, que costuma ser subestimado diante da urgência clínica.

Na assistência

  • Considerar gravidez ectópica em toda mulher em idade fértil com dor abdominal, atraso menstrual ou sangramento irregular, solicitando teste de gravidez de imediato.
  • Avaliar sinais vitais, perfusão e nível de consciência a cada atendimento, reconhecendo taquicardia e hipotensão como sinais de rotura até prova em contrário.
  • Garantir acesso venoso calibroso, coleta de tipagem sanguínea e acionamento imediato da equipe médica diante de suspeita de instabilidade.
  • Orientar sobre o seguimento com beta-HCG seriado até negativação e sobre os sinais que exigem retorno imediato ao serviço.
  • Acolher a perda gestacional e oferecer suporte para o luto, sem reduzir o atendimento à resolução do quadro clínico.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra mantém alto índice de suspeição na triagem, não atribui dor pélvica a causas benignas antes de excluir gestação, documenta a evolução de sinais vitais com intervalos curtos nos casos suspeitos, agiliza o encaminhamento sem aguardar exames complementares na instabilidade e sustenta o acolhimento do luto no seguimento.

O que dizem as evidências

FEBRASGO e Ministério da Saúde recomendam diagnóstico precoce por beta-HCG seriado associado à ultrassonografia transvaginal, com tratamento individualizado conforme estabilidade hemodinâmica e critérios de elegibilidade. Na suspeita de rotura, a conduta é cirúrgica imediata, sem aguardar confirmação laboratorial.

Fonte

Ministério da Saúde (Gestação de Alto Risco; Urgências e Emergências Maternas); FEBRASGO; OMS (Cuidado no abortamento e nas complicações da gravidez inicial); COFEN 516/2016.