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Hiperêmese gravídica

Também conhecido como Êmese gravídica grave, Vômitos incoercíveis da gestação, Hiperemese, Náuseas e vômitos graves da gravidez.

Forma grave de náuseas e vômitos da gestação, com perda de peso, desidratação e distúrbio hidroeletrolítico, que ultrapassa o enjoo fisiológico do primeiro trimestre.

Definição clínica

A hiperêmese gravídica é a forma grave e persistente das náuseas e vômitos da gestação, caracterizada por vômitos incoercíveis, perda de peso significativa em relação ao peso pré-gestacional, desidratação, distúrbio hidroeletrolítico e cetonúria. Distingue-se do enjoo comum não pela presença do sintoma, mas pela repercussão clínica que ele produz.

A faixa fisiológica precisa ser dita à gestante para que ela reconheça o que é esperado: náuseas e vômitos ocorrem na maioria das gestações, costumam iniciar entre a quinta e a sétima semana, atingir o pico por volta da nona semana e melhorar progressivamente até o final do primeiro trimestre, sem impedir a hidratação nem provocar perda de peso relevante. Enjoo matinal que permite alimentação fracionada e mantém o peso é fisiológico e não exige tratamento agressivo.

Caracterizam o quadro grave:

  • Perda ponderal expressiva em relação ao peso pré-gestacional, com incapacidade de manter a ingestão.
  • Desidratação: mucosas secas, oligúria, urina concentrada, taquicardia e hipotensão postural.
  • Alterações laboratoriais: distúrbio hidroeletrolítico, alcalose, cetonúria e, em casos prolongados, alteração de enzimas hepáticas e da função tireoidiana.
  • Repercussão psíquica: exaustão, isolamento, sentimento de culpa e sintomas ansiosos e depressivos, frequentemente agravados pela desqualificação do sofrimento pela família e pela equipe.

O quadro pode aparecer também como manifestação de outras condições e não deve ser fechado de imediato: gestação múltipla, doença trofoblástica gestacional, hipertireoidismo, infecção urinária e afecções gastrointestinais precisam ser consideradas, especialmente quando os vômitos começam depois da décima semana ou persistem no segundo trimestre. O manejo inicial inclui medidas dietéticas e ambientais, e o tratamento medicamentoso com antieméticos indicados na gestação é prescrito pela equipe conforme protocolo, sem que o receio de medicar prolongue o sofrimento. Casos com desidratação, perda de peso importante ou alteração laboratorial exigem hidratação venosa e reposição de eletrólitos, com atenção à reposição de tiamina nos quadros prolongados. É preciso afirmar de forma direta: náusea intensa na gestação não é frescura, não é sinal de rejeição à gravidez e não é indicação para interromper o pré-natal ou para tratar apenas com orientações genéricas.

Na assistência

  • Registrar o peso pré-gestacional e monitorar a variação ponderal em toda consulta, quantificando a perda em vez de estimar pela aparência.
  • Avaliar sinais de desidratação, frequência dos episódios, tolerância a líquidos e diurese, diferenciando enjoo fisiológico de hiperêmese.
  • Orientar medidas iniciais: fracionar refeições, ingerir alimentos secos antes de levantar, evitar odores desencadeantes e separar líquidos das refeições.
  • Acionar avaliação médica para prescrição de antiemético e para hidratação venosa nos casos com desidratação, cetonúria ou perda de peso importante.
  • Investigar causas associadas, como gestação múltipla, doença trofoblástica e infecção urinária, e avaliar o impacto emocional com rastreamento de sintomas ansiosos e depressivos.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra quantifica a gravidade com peso, diurese e tolerância oral em vez de julgar a queixa, valida o sofrimento diante da família, encaminha precocemente para tratamento em vez de postergar por receio de medicação na gestação e mantém vigilância ativa da recorrência ao longo do segundo trimestre.

O que dizem as evidências

FEBRASGO e Ministério da Saúde recomendam abordagem escalonada, começando por medidas dietéticas e ambientais e avançando para antieméticos com segurança estabelecida na gestação quando os sintomas persistem. A hiperêmese com desidratação ou perda de peso significativa exige hidratação venosa, correção eletrolítica e avaliação hospitalar.

Fonte

Ministério da Saúde (Atenção ao Pré-Natal de Baixo Risco; Gestação de Alto Risco); FEBRASGO; OMS (Recomendações sobre Cuidados Pré-Natais, 2016); COFEN 516/2016.