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Hemorragia pós-parto

Também conhecido como HPP, hemorragia puerperal, sangramento pós-parto.

Perda sanguínea excessiva após o parto que ameaça a estabilidade hemodinâmica e exige reconhecimento e manejo imediatos.

Definição clínica

A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de morbimortalidade materna evitável no mundo e no Brasil. Tradicionalmente é definida como perda sanguínea cumulativa significativa nas primeiras 24 horas após o nascimento, acompanhada de sinais de instabilidade hemodinâmica; a OMS adota como referência clássica a perda igual ou superior a 500 mL no parto vaginal e a 1000 mL na cesariana, embora a tendência atual valorize a perda associada a sinais e sintomas de hipovolemia, independentemente do volume estimado. É classificada em HPP primária (precoce) , nas primeiras 24 horas, e HPP secundária (tardia) , entre 24 horas e 6 a 12 semanas do puerpério. As causas são sistematizadas mnemonicamente pelos quatro Ts : Tônus – atonia uterina, causa mais frequente; Trauma – lacerações do canal de parto, rotura uterina, inversão uterina; Tecido – retenção de restos placentários ou de membranas; Trombina – distúrbios da coagulação, como na síndrome HELLP e no descolamento prematuro de placenta. A subestimação visual da perda é frequente, motivo pelo qual a quantificação objetiva do sangramento e a vigilância dos sinais vitais são essenciais. O reconhecimento precoce, somado à atuação coordenada da equipe, é determinante para reduzir desfechos maternos graves.

Na assistência

Estimar de forma objetiva a perda sanguínea, preferencialmente por método gravimétrico ou bolsas coletoras calibradas, evitando estimativas apenas visuais. Realizar vigilância contínua dos sinais vitais e do tônus uterino no pós-parto imediato, palpando o fundo uterino e avaliando lóquios. Diante de atonia, iniciar massagem uterina (e, quando necessária, compressão uterina bimanual) e garantir esvaziamento vesical, acionando a equipe médica e o protocolo institucional. Assegurar acesso venoso calibroso, coleta de exames e administração de uterotônicos conforme prescrição e protocolo vigente. Registrar tempos, volumes e condutas, comunicando-se de forma estruturada com a equipe. Protocolo IPDP: incentivamos o treinamento da equipe de enfermagem para resposta rápida e reposição volêmica precoce, com simulação periódica do Código Vermelho Obstétrico, definindo papéis claros (líder, vias, medicação, registro) e revisão sistemática da quantificação de perda a cada plantão.

O que dizem as evidências

OMS, Ministério da Saúde e FEBRASGO recomendam manejo ativo do terceiro período do parto, com uterotônico profilático (ocitocina como primeira escolha), além de quantificação objetiva da perda sanguínea e protocolos institucionais estruturados de resposta rápida.

Fonte

Ministério da Saúde (Diretrizes para HPP); FEBRASGO; OMS 2012/2017/2018; COFEN 516/2016; OPAS Zero Morte Materna por Hemorragia