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Estreptococo do grupo B

Também conhecido como EGB, GBS, Streptococcus agalactiae, colonização por estreptococo do grupo B.

Bactéria que comumente coloniza o trato genital e intestinal das mulheres e que, sem profilaxia intraparto, pode causar infecção neonatal grave.

Definição clínica

O estreptococo do grupo B (EGB, *Streptococcus agalactiae*) é uma bactéria comensal do trato gastrintestinal e geniturinário, presente de forma transitória ou persistente em cerca de um quarto das gestantes. A colonização materna é assintomática na maioria dos casos e, por si só, não caracteriza doença: colonização não é infecção. O risco clínico está na transmissão vertical durante a passagem pelo canal de parto ou após a ruptura das membranas, que pode levar à infecção neonatal precoce, com sepse, pneumonia e meningite nas primeiras 24 a 72 horas de vida.

O rastreamento universal é feito por swab vaginal e retal, coletado com um único swab que percorre o terço distal da vagina e em seguida o esfíncter anal, sem uso de espéculo. A coleta é atribuição da enfermeira obstetra na consulta de pré-natal. O período recomendado é o terceiro trimestre, entre 35 e 37 semanas, porque a colonização é dinâmica e uma cultura muito precoce perde valor preditivo para o momento do parto. O resultado tem validade aproximada de cinco semanas.

A profilaxia antibiótica intraparto está indicada nas seguintes situações:

  • Cultura de rastreio positiva para EGB na gestação atual associada a ruptura de membranas;
  • Bacteriúria ou infecção urinária por EGB em qualquer momento da gestação atual, independentemente de nova cultura;
  • Recém-nascido anterior com doença invasiva por EGB;
  • Status de colonização desconhecido associado a trabalho de parto antes de 37 semanas, ruptura de membranas por 18 horas ou mais, ou febre materna intraparto.

A conduta diante da colonização é exclusivamente a profilaxia antibiótica intraparto por via endovenosa, iniciada com o trabalho de parto ou com a ruptura de membranas, sendo a penicilina a droga de primeira escolha e a ampicilina a alternativa. Alergia à penicilina exige avaliação do tipo de reação e escolha de esquema alternativo pela equipe. A colonização por EGB não indica tratamento antibiótico durante o pré-natal, não indica cesárea, não contraindica o parto normal, o parto na água ou o contato pele a pele, e não contraindica a amamentação.

Na assistência

  • Coletar o swab vaginal e retal entre 35 e 37 semanas em toda gestante, com técnica correta e sem espéculo, registrando a data da coleta no prontuário e na caderneta.
  • Explicar à mulher que um resultado positivo significa colonização e não doença, que ela não está infectada e que a conduta será apenas o antibiótico na veia durante o trabalho de parto.
  • Identificar as gestantes que já têm indicação de profilaxia independentemente da cultura: bacteriúria por EGB na gestação atual e recém-nascido anterior com doença invasiva.
  • Garantir que o resultado esteja visível no cartão de pré-natal e comunicado à maternidade, para que a profilaxia seja iniciada em tempo hábil na admissão.
  • Orientar a procura precoce do serviço diante de perda de líquido ou contrações regulares, já que o intervalo entre o início da profilaxia e o nascimento influencia a proteção do recém-nascido.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra assume a coleta e a comunicação do rastreio como parte da consulta de pré-natal, sustenta que a colonização por EGB não muda a via de nascimento nem restringe as boas práticas de assistência, e articula com a equipe a profilaxia intraparto sem transformar um achado microbiológico em cascata de intervenções.

O que dizem as evidências

O Ministério da Saúde e a FEBRASGO recomendam o rastreamento universal por swab vaginal e retal no terceiro trimestre, com profilaxia antibiótica endovenosa exclusivamente intraparto nas gestantes colonizadas. A colonização por EGB não é indicação de cesárea nem de tratamento antibiótico durante o pré-natal.

Fonte

Ministério da Saúde (Manual de Gestação de Alto Risco; Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres); FEBRASGO; OMS (Recomendações para Cuidados Intraparto, 2018); COFEN 516/2016; Sociedade Brasileira de Pediatria.