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Fissura mamilar

Também conhecido como Trauma mamilar, Rachadura no mamilo, Mamilo fissurado, Lesão mamilar.

Lesão (rachadura, erosão ou fissura) do mamilo ou aréola durante a amamentação, em geral causada por pega incorreta; é causa de dor e de desmame precoce.

Definição clínica

A fissura mamilar é uma lesão traumática do complexo mamilo-areolar que surge predominantemente nos primeiros dias do aleitamento materno. Manifesta-se como rachaduras, erosões, escoriações, vesículas ou ulcerações, frequentemente acompanhadas de dor intensa, sangramento e, em casos avançados, risco de infecção secundária. É uma das principais causas de dor ao amamentar e um dos fatores associados ao desmame precoce. A etiologia é multifatorial, mas a pega incorreta e o posicionamento inadequado do bebê ao seio são as causas mais frequentes e potencialmente preveníveis. Outros fatores incluem técnica de sucção disfuncional, anquiloglossia (freio lingual curto), uso inadequado de bombas de extração, retirada do bebê sem desfazer a sucção e higiene excessiva ou produtos irritantes sobre o mamilo. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na inspeção do mamilo e na observação de uma mamada completa, avaliando pega, posicionamento e sucção. É importante o diagnóstico diferencial com: infecção por Candida (candidíase mamilar); vasoespasmo do mamilo (fenômeno de Raynaud); ingurgitamento mamário e mastite; dermatites de contato. A prevenção e o manejo precoce baseiam-se na correção da pega e do posicionamento, manejo da dor e cuidados locais que favoreçam a cicatrização úmida, sem interromper a amamentação na maioria dos casos.

Na assistência

Observe uma mamada completa antes de qualquer conduta: avalie pega, posicionamento, abertura da boca, posição do lábio inferior evertido e diminuição do incômodo após o ajuste. É normal que as lactantes sintam um incômodo dolorido, com duração de cerca de 60 segundos, em todo início de mamada até o 10º dia de vida do RN. Corrija a pega e o posicionamento como primeira intervenção; reposicione e oriente a retirada do bebê desfazendo a sucção com o dedo no canto da boca. Investigue anquiloglossia e padrão de sucção quando a dor persistir mesmo após pega adequada. Oriente cuidados locais que favoreçam a cicatrização úmida e evite produtos irritantes, sabões e secagem excessiva. Avalie e maneje a dor, registre a evolução da lesão e referencie os casos com sinais de infecção ou refratários. Protocolo IPDP: priorize a continuidade da amamentação sempre que possível, documente a lesão (localização, tipo e tamanho) em cada consulta, agende reavaliação em 24 a 72 horas e acione a equipe multiprofissional diante de sinais de infecção, dor incontrolável ou risco de desmame.

O que dizem as evidências

OMS, Ministério da Saúde e FEBRASGO recomendam manter o aleitamento materno exclusivo e tratar a causa, sendo a correção da pega e do posicionamento a intervenção prioritária; a interrupção da amamentação não é indicada de rotina.

Fonte

Ministério da Saúde (Caderno de Atenção Básica nº 23 – Saúde da Criança: Aleitamento Materno); FEBRASGO; OMS/UNICEF (Iniciativa Hospital Amigo da Criança); COFEN 516/2016; Sociedade Brasileira de Pediatria (Departamento de Aleitamento Materno).