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Corioamnionite

Também conhecido como infecção intra-amniótica, amnionite, infecção intrauterina intraparto.

Infecção aguda das membranas, do líquido amniótico e da cavidade uterina durante a gestação ou o trabalho de parto, com risco de sepse materna e neonatal.

Definição clínica

A corioamnionite, hoje também designada infecção intra-amniótica, é a inflamação aguda do córion, do âmnio, do líquido amniótico e eventualmente da placenta e do feto, causada em geral pela ascensão de bactérias da flora vaginal e cervical após a perda da barreira das membranas. Menos frequentemente decorre de disseminação hematogênica ou de procedimentos invasivos. É uma urgência obstétrica: instalada a infecção, o tempo até a resolução da gestação passa a determinar o desfecho materno e neonatal.

Os principais fatores de risco são a ruptura prematura de membranas, sobretudo quando prolongada, o trabalho de parto prolongado, o número elevado de toques vaginais após a ruptura, a colonização por estreptococo do grupo B, a vaginose bacteriana, a monitorização fetal interna, o líquido amniótico meconial e a nuliparidade com trabalho de parto arrastado.

O diagnóstico é clínico e exige febre materna associada a outros achados. São critérios usados na prática:

  • Febre materna a partir de 39 graus, ou entre 38 e 38,9 graus confirmada em nova aferição após 30 minutos, na ausência de outra causa;
  • Taquicardia fetal sustentada acima de 160 batimentos por minuto;
  • Leucocitose materna acima de 15.000 células por milímetro cúbico, sem uso de corticoide;
  • Secreção purulenta ou de odor fétido saindo pelo orifício cervical;
  • Dor à palpação uterina fora da contração e taquicardia materna.

É preciso não fechar o quadro num só diagnóstico: febre intraparto tem outras origens, como analgesia peridural, desidratação, infecção urinária e infecções respiratórias, e a diferenciação orienta a conduta. As repercussões maternas incluem trabalho de parto disfuncional, atonia uterina e hemorragia pós-parto, endometrite, sepse puerperal e, nos casos graves, choque séptico. As neonatais incluem sepse neonatal precoce, pneumonia, meningite, asfixia e, na prematuridade, aumento do risco de lesão neurológica.

A conduta combina antibioticoterapia de amplo espectro por via endovenosa iniciada imediatamente, antitérmico, hidratação e resolução da gestação sem retardar, com equipe neonatal presente. A corioamnionite não é, por si só, indicação de cesárea: a via de parto segue a indicação obstétrica, e o parto vaginal permanece possível quando as condições permitem, com atenção ao maior risco de hemorragia no pós-parto.

Na assistência

  • Aferir temperatura, frequência cardíaca materna e frequência cardíaca fetal em intervalos regulares durante o trabalho de parto, especialmente após ruptura de membranas, e registrar no partograma.
  • Limitar o número de toques vaginais ao mínimo necessário após a ruptura das membranas e registrar cada exame, porque este é um fator de risco diretamente modificável pela assistência.
  • Reconhecer precocemente a associação de febre materna com taquicardia fetal, dor uterina ou líquido de odor fétido, comunicar imediatamente à equipe e acionar o protocolo de sepse.
  • Garantir a coleta de exames, o acesso venoso e o início da antibioticoterapia endovenosa sem aguardar a resolução do parto, e assegurar a presença da equipe neonatal no nascimento.
  • Manter vigilância ativa no pós-parto imediato para atonia uterina, hemorragia e sinais de sepse puerperal, e informar a puérpera sobre os sinais de alerta na alta.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra previne mais do que trata, controlando o número de toques e o tempo de bolsa rota, sustenta que a corioamnionite não muda automaticamente a via de nascimento e prioriza o início do antibiótico e a comunicação com a equipe sobre qualquer outra medida.

O que dizem as evidências

A OMS e a FEBRASGO recomendam antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro imediata e resolução da gestação sem retardo diante de infecção intra-amniótica, mantendo a via de parto conforme indicação obstétrica. A restrição do número de toques vaginais após a ruptura de membranas é medida preventiva de primeira linha.

Fonte

Ministério da Saúde (Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal; Manual de Gestação de Alto Risco); FEBRASGO; OMS (Recomendações para Cuidados Intraparto, 2018); COFEN 516/2016; Sociedade Brasileira de Pediatria.