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Contrações de Braxton Hicks

Também conhecido como Contrações de treinamento, Contrações de preparo, Falso trabalho de parto, Contrações fisiológicas da gestação.

Contrações uterinas fisiológicas, irregulares e indolores, que ocorrem ao longo da gestação e não promovem modificação progressiva do colo.

Definição clínica

As contrações de Braxton Hicks são contrações uterinas fisiológicas presentes desde o segundo trimestre e mais perceptíveis no terceiro. Correspondem a uma atividade contrátil de baixa intensidade e curta duração, com endurecimento global do útero, que a gestante costuma descrever como a barriga que fica dura por alguns instantes e depois relaxa. Participam da preparação do miométrio e do fluxo sanguíneo placentário, e integram o processo de amadurecimento que antecede o trabalho de parto. Também são conhecidas como “contrações de treinamento”.

A faixa esperada é concreta e deve ser informada: essas contrações costumam durar cerca de 30 a 60 segundos, aparecem de forma esparsa e sem cadência, tendem a se concentrar no fim do dia, após esforço físico, relação sexual, bexiga cheia ou desidratação, e cedem com repouso, hidratação, mudança de posição ou banho morno. Sentir o útero endurecer várias vezes ao dia no terceiro trimestre não significa que o parto começou nem que há prematuridade.

A diferenciação com o trabalho de parto se faz por critérios objetivos:

  • Regularidade: as de Braxton Hicks são irregulares e imprevisíveis; as de trabalho de parto assumem ritmo e intervalo progressivamente menor.
  • Intensidade: as de Braxton Hicks mantêm intensidade estável ou decrescente; as de trabalho de parto tornam-se progressivamente mais fortes e mais longas.
  • Resposta ao repouso: as de Braxton Hicks cedem com repouso e hidratação; as de trabalho de parto não cedem, e frequentemente pioram ao deitar.
  • Efeito sobre o colo: apenas o trabalho de parto produz apagamento e dilatação progressivos, verificáveis ao exame.
  • Localização: as de Braxton Hicks concentram-se no abdome; as de trabalho de parto irradiam frequentemente para a região lombossacra e para as coxas.

Nem toda contração antes do termo é fisiológica. Contrações rítmicas antes de 37 semanas, dor lombar persistente, pressão pélvica progressiva, perda de líquido, sangramento ou redução da movimentação fetal afastam a suposição de Braxton Hicks e exigem avaliação. Do mesmo modo, contrações percebidas ao termo não são, por si, indicação de internação, de indução ou de cesárea: a conduta depende da progressão clínica e da avaliação do colo, e a gestante deve ser orientada e não apenas dispensada.

Na assistência

  • Orientar desde o pré-natal as características esperadas: contrações de 30 a 60 segundos, irregulares, sem progressão de intensidade e que cedem ao repouso.
  • Ensinar a gestante a cronometrar frequência e duração e a registrar o padrão antes de procurar o serviço, evitando idas desnecessárias e também retardos.
  • Orientar as medidas de alívio de primeira linha: hidratação, mudança de posição, esvaziamento vesical, banho morno e repouso lateral esquerdo.
  • Avaliar dinâmica uterina, altura uterina e vitalidade fetal na admissão, e reservar o toque vaginal para quando houver indicação clínica definida.
  • Encaminhar imediatamente diante de contrações rítmicas antes de 37 semanas, perda de líquido, sangramento, dor que não cede ou redução dos movimentos fetais.

Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra normaliza o fenômeno com critério mensurável em vez de tranquilizar de forma vaga, entrega à gestante os sinais objetivos que diferenciam Braxton Hicks de trabalho de parto, documenta o padrão contrátil observado e evita internação e intervenção precoces sem indicação, mantendo canal aberto para reavaliação.

O que dizem as evidências

Ministério da Saúde e OMS recomendam evitar a admissão hospitalar na fase latente e reconhecer as contrações irregulares como fenômeno fisiológico, orientando a gestante quanto aos sinais de trabalho de parto estabelecido. A conduta é observação e orientação, sem intervenção farmacológica quando não há critério de prematuridade.

Fonte

Ministério da Saúde (Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal; Atenção ao Pré-Natal de Baixo Risco); OMS (Recomendações para Cuidados Intraparto, 2018); FEBRASGO; COFEN 516/2016.