Versão cefálica externa
Também conhecido como VCE, versão externa, versão cefálica externa por manobras.
Versão cefálica externa é a manobra obstétrica que, pela palpação abdominal, gira o feto de apresentação pélvica ou córmica para cefálica, favorecendo o parto vaginal.
Definição clínica
A versão cefálica externa (VCE) é um procedimento obstétrico em que, por meio de manobras manuais aplicadas externamente sobre o abdome materno, o feto que se encontra em apresentação pélvica (ou em situação transversa/córmica) é rotacionado para a apresentação cefálica. O objetivo é aumentar a probabilidade de parto vaginal e reduzir a indicação de cesárea por apresentação anômala. O procedimento é habitualmente realizado a partir de 36 a 37 semanas de gestação (próximo do termo), em ambiente hospitalar com recursos para monitorização fetal contínua e acesso imediato a parto cirúrgico, caso surja complicação. A conduta envolve avaliação ultrassonográfica prévia (posição fetal, placenta, líquido amniótico), cardiotocografia antes e depois, e frequentemente o uso de tocolítico para relaxamento uterino. A profilaxia com imunoglobulina anti-D é considerada em gestantes Rh negativo. Pré-requisitos gerais: gestação única, bolsa íntegra, ausência de contraindicações maternas ou fetais. Contraindicações: situações que já indicam cesárea, sangramento ativo, placenta prévia, oligoâmnio acentuado, sofrimento fetal e malformações relevantes. Riscos potenciais: bradicardia fetal transitória, descolamento prematuro de placenta, ruptura de membranas, hemorragia feto-materna e necessidade de cesárea de urgência. Quando bem-sucedida, a VCE permite que gestações antes destinadas à cesárea evoluam para tentativa de parto vaginal, com benefícios maternos e neonatais associados.
Na assistência
Identificar candidatas precocemente: reconhecer a apresentação pélvica persistente no pré-natal de terceiro trimestre e encaminhar para avaliação da equipe quanto à elegibilidade para VCE. Preparar a gestante: orientar sobre o procedimento, benefícios e riscos, esclarecer dúvidas e apoiar a decisão informada, registrando o consentimento. Garantir a segurança pré-manobra: conferir jejum relativo, acesso venoso, monitorização cardiotocográfica de base e disponibilidade de centro cirúrgico. Vigiar durante e após: monitorar o bem-estar fetal e os sinais maternos, atenta a bradicardia, dor intensa, sangramento ou perda de líquido. Acolher o resultado: reforçar orientações pós-procedimento e o plano de seguimento, independentemente do sucesso da versão. Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra atua de forma articulada com a equipe médica, conduzindo a educação da gestante, a preparação ambiental e a vigilância materno-fetal antes, durante e após a manobra, sempre dentro do escopo da Resolução COFEN 516/2016, e assegurando registro detalhado e comunicação imediata de qualquer intercorrência.
O que dizem as evidências
As diretrizes vigentes recomendam oferecer a versão cefálica externa às gestantes com apresentação pélvica a partir de 36 a 37 semanas, sem contraindicações, em ambiente com monitorização fetal e acesso a parto cirúrgico, como estratégia para favorecer o parto vaginal e reduzir cesáreas.