Solução de continuidade da parede uterina durante a gestação ou o parto, configurando emergência obstétrica com risco materno e fetal.
Definição clínica
A ruptura uterina é a perda da integridade da parede do útero, com solução de continuidade do miométrio, que ocorre na gestação avançada ou durante o trabalho de parto. É uma emergência obstétrica grave, associada a hemorragia, sofrimento fetal agudo e elevada morbimortalidade materna e perinatal. Classifica-se em completa (rompimento de todas as camadas, incluindo o peritônio, com comunicação entre a cavidade uterina e a cavidade peritoneal) e incompleta ou deiscência (separação parcial, geralmente de cicatriz prévia, com peritônio íntegro). A forma completa é a de maior gravidade. O principal fator de risco é a presença de cicatriz uterina anterior, sobretudo cesárea prévia, em especial a incisão corporal (clássica). Outros fatores incluem trabalho de parto obstruído, multiparidade, uso inadequado de uterotônicos como a ocitocina, manobras intempestivas e trauma abdominal. As manifestações podem incluir: dor abdominal súbita e intensa, por vezes referida sobre a cicatriz; alterações da frequência cardíaca fetal, frequentemente bradicardia ou desacelerações; sangramento vaginal e sinais de choque hipovolêmico; parada ou regressão da dinâmica uterina e perda da apresentação fetal previamente encaixada. O diagnóstico é predominantemente clínico e exige reconhecimento precoce. A conduta é a laparotomia de urgência com resolução do parto e reparo ou histerectomia, conforme o caso.
Na assistência
Identifique gestantes de risco na admissão, especialmente com cicatriz uterina prévia (cesárea, miomectomia), registrando o tipo de incisão quando disponível. Monitore continuamente os sinais de alerta: dor abdominal súbita, alteração do padrão da frequência cardíaca fetal e instabilidade hemodinâmica materna. Suspeite de ruptura diante de perda do encaixe fetal, regressão da dinâmica e sangramento, acionando imediatamente a equipe médica. Garanta acesso venoso calibroso, oxigenação, monitorização e preparo para a sala cirúrgica enquanto comunica a urgência. Atue criteriosamente na infusão de ocitocina, vigiando hiperestimulação, e jamais aplique manobra de Kristeller. Protocolo IPDP: diante de qualquer sinal sugestivo de ruptura uterina, a enfermeira obstetra deve acionar o código de emergência obstétrica da unidade, manter a paciente em decúbito adequado, iniciar reposição volêmica conforme prescrição e prosseguir com registro objetivo e cronológico dos eventos, atuando de forma colaborativa e dentro das competências definidas pelo COFEN.
O que dizem as evidências
As diretrizes vigentes recomendam reconhecimento precoce dos sinais e resolução cirúrgica imediata, além de uso criterioso de uterotônicos e individualização da via de parto em mulheres com cicatriz uterina prévia.