Restrição de crescimento intrauterino
Também conhecido como RCIU, restrição de crescimento fetal, crescimento intrauterino restrito, CIUR.
Falha do feto em atingir seu potencial genético de crescimento, geralmente com peso ou circunferência abdominal estimados abaixo do esperado para a idade gestacional.
Definição clínica
A restrição de crescimento intrauterino (RCIU) é uma condição em que o feto não alcança seu potencial de crescimento determinado geneticamente, em razão de um processo patológico, mais frequentemente associado à insuficiência placentária. É distinta do conceito de pequeno para a idade gestacional (PIG), que se refere apenas a um feto constitucionalmente menor, sem comprometimento patológico. A RCIU costuma ser classificada quanto ao momento de instalação em: precoce , de início antes do limite gestacional definido nas diretrizes, comumente relacionada a insuficiência placentária grave e a distúrbios hipertensivos como a pré-eclâmpsia; tardia , de instalação mais avançada na gestação, em geral com disfunção placentária mais sutil, porém com risco aumentado de desfechos adversos por menor tolerância à hipóxia. Entre as causas e fatores associados estão hipertensão e pré-eclâmpsia, tabagismo, desnutrição materna, infecções congênitas, anomalias cromossômicas e alterações placentárias e de cordão. O diagnóstico baseia-se na biometria fetal ultrassonográfica, na estimativa de peso e da circunferência abdominal, complementada pela avaliação do líquido amniótico e pela dopplervelocimetria das artérias umbilical, cerebral média e uterinas. A RCIU eleva o risco de prematuridade, sofrimento fetal, óbito intrauterino e complicações neonatais, exigindo vigilância rigorosa e definição individualizada do momento e da via de nascimento.
Na assistência
Identifique precocemente gestantes de risco no pré-natal, investigando hipertensão, tabagismo, baixo ganho ponderal e história obstétrica desfavorável. Realize e registre de forma seriada a medida da altura uterina, valorizando estagnação ou crescimento abaixo do esperado como sinal de alerta para encaminhamento. Oriente a gestante sobre a percepção dos movimentos fetais e os sinais que demandam avaliação imediata. Apoie a vigilância de bem-estar fetal, organizando e acompanhando cardiotocografia e exames de Doppler conforme o plano de cuidado. Articule o cuidado interprofissional, antecipando suporte neonatal qualificado para o nascimento. Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra integra a vigilância da RCIU ao pré-natal de forma sistemática, documentando curvas de altura uterina, padrão de movimentos fetais e resultados de monitorização, comunicando prontamente desvios à equipe e atuando de modo colaborativo dentro das competências definidas pelo COFEN, com foco em parto seguro e centrado na mulher.
O que dizem as evidências
As diretrizes vigentes recomendam diferenciar RCIU de feto pequeno para a idade gestacional, manter vigilância seriada com biometria e dopplervelocimetria e individualizar o momento e a via de nascimento conforme a gravidade e a idade gestacional, garantindo assistência neonatal qualificada.