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Perineorrafia

Também conhecido como sutura perineal, reparo perineal, rafia perineal.

Sutura cirúrgica do períneo para reparar lacerações espontâneas ou episiotomia após o parto, restaurando a integridade dos tecidos perineais.

Definição clínica

A perineorrafia é o procedimento de sutura realizado para reparar soluções de continuidade do períneo, sejam elas decorrentes de lacerações espontâneas durante o parto vaginal ou de episiotomia. O objetivo é restaurar a anatomia perineal, promover a hemostasia, favorecer a cicatrização por primeira intenção e reduzir morbidades como dor, dispareunia, infecção e incontinência. O reparo é orientado pelo grau da lesão, conforme a classificação amplamente adotada: 1º grau: pele e mucosa vaginal, sem acometimento muscular; 2º grau: envolve a musculatura perineal, sem atingir o esfíncter anal; 3º grau: compromete o complexo do esfíncter anal, subdividido em 3a (menos de 50% do esfíncter anal externo), 3b (mais de 50% do esfíncter anal externo) e 3c (acometimento também do esfíncter anal interno); 4º grau: compromete o complexo esfincteriano e estende-se ao epitélio anal/retal. As lesões de 1º e 2º graus integram a competência da enfermeira obstetra; as de 3º e 4º graus (OASIS) exigem reparo por profissional habilitado, em geral médico, com técnica e ambiente adequados. A técnica contínua, com fio sintético de absorção, tende a se associar a menos dor a curto prazo em comparação à sutura interrompida. A condução baseia-se em avaliação criteriosa da lesão, assepsia, analgesia adequada, reaproximação anatômica por planos (mucosa, músculo e pele) e contagem rigorosa de compressas e agulhas antes e após o procedimento.

Na assistência

Inspecionar sistematicamente o canal de parto sob boa iluminação, classificando a lesão e confirmando a ausência de comprometimento esfincteriano antes de suturar. Garantir analgesia eficaz (infiltração local ou aproveitamento da analgesia neuroaxial) e revisão da assepsia das mãos e do campo. Reaproximar os planos respeitando a anatomia: mucosa vaginal, musculatura perineal e pele, priorizando técnica contínua quando indicada. Realizar o toque retal de checagem após o reparo para excluir transfixação inadvertida da mucosa retal. Conferir a contagem de compressas e agulhas e registrar o procedimento de forma completa no prontuário. Protocolo IPDP: diante de qualquer suspeita de lesão de 3º ou 4º grau, suspenda o reparo no nível da enfermagem, acione imediatamente o profissional habilitado e documente a hora do acionamento; oriente a puérpera sobre higiene perineal, sinais de alerta e retorno para reavaliação da cicatrização.

O que dizem as evidências

As diretrizes vigentes recomendam o reparo perineal por planos com fio sintético absorvível, privilegiando a técnica de sutura contínua para reduzir dor pós-parto, e o encaminhamento das lesões de 3º e 4º graus a profissional habilitado. A OMS desaconselha a episiotomia de rotina, restringindo-a a indicações criteriosas.

Fonte

Ministério da Saúde (Diretrizes de Assistência ao Parto Normal); FEBRASGO; OMS (Recomendações para a experiência positiva no parto, 2018); COFEN (Resolução 516/2016 e atualizações); RCOG (Green-top Guideline sobre OASIS)