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Períneo

Também conhecido como assoalho pélvico (região perineal), soalho da pelve.

Períneo é a região anatômica entre a vulva e o ânus, formada por músculos, fáscias e pele que sustentam o assoalho pélvico e o canal de parto.

Definição clínica

O períneo é a região anatômica losangular situada na saída inferior da pelve, delimitada anteriormente pela sínfise púbica, posteriormente pelo cóccix e lateralmente pelas tuberosidades isquiáticas. Uma linha transversal entre as tuberosidades isquiáticas divide essa região em dois triângulos: o triângulo urogenital , anterior, e o triângulo anal , posterior. Em obstetrícia, o termo costuma referir-se especificamente ao corpo perineal (centro tendíneo do períneo), estrutura fibromuscular localizada entre a fúrcula vaginal e o ânus. Nele convergem importantes músculos do assoalho pélvico, entre eles: músculo bulboesponjoso; músculos transversos superficial e profundo do períneo; esfíncter externo do ânus; fibras do músculo levantador do ânus (puborretal/pubococcígeo). Essas estruturas oferecem suporte aos órgãos pélvicos (bexiga, útero e reto), participam da continência urinária e fecal e da função sexual. Durante o período expulsivo do parto vaginal, o períneo sofre intensa distensão para permitir a passagem do polo cefálico, o que o torna sítio frequente de lacerações e local de eventual episiotomia. A integridade do corpo perineal é determinante para a recuperação funcional no puerpério, motivo pelo qual sua avaliação e proteção são competências centrais da assistência obstétrica baseada em evidências.

Na assistência

Aplicação Clínica para a Enfermeira Obstetra: Inspecione e palpe o corpo perineal na admissão e ao longo do trabalho de parto, registrando elasticidade, cicatrizes prévias e sinais de fragilidade tecidual. Favoreça medidas protetoras no período expulsivo: parto em posições não supinas, puxos fisiológicos (não dirigidos) e desprendimento lento do polo cefálico. Considere compressas mornas no períneo durante o expulsivo, conduta associada à redução de lacerações graves em revisões sistemáticas. Restrinja a episiotomia ao uso seletivo, com indicação clínica justificada e consentimento da mulher. Após o nascimento, classifique lacerações (1º a 4º grau) e encaminhe ou realize perineorrafia conforme competência legal e protocolo institucional. Protocolo IPDP: padronizamos a avaliação perineal em três momentos (admissão, expulsivo e pós-dequitação), com aquecimento perineal e suporte manual conforme preferência da mulher, registro fotográfico opcional consentido das lacerações e reavaliação da continência e da dor perineal em 24 horas e na consulta puerperal.

O que dizem as evidências

OMS, Ministério da Saúde e FEBRASGO recomendam práticas de proteção perineal no período expulsivo e desencorajam a episiotomia de rotina, reservando-a para indicações seletivas com avaliação individualizada.

Fonte

Ministério da Saúde (Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal, 2017); FEBRASGO; OMS 2018 (Intrapartum care for a positive childbirth experience); COFEN (resolução vigente sobre atuação da enfermeira obstetra)

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