Infecção urinária na gravidez
Também conhecido como ITU na gestação, infecção do trato urinário na gravidez, infecção urinária gestacional, ITU gestacional.
Colonização ou infecção do trato urinário durante a gestação, que abrange bacteriúria assintomática, cistite e pielonefrite, exigindo rastreamento e tratamento.
Definição clínica
A infecção urinária na gravidez compreende a presença de microrganismos no trato urinário da gestante, com ou sem sintomas, em decorrência de alterações fisiológicas da gestação que favorecem a estase urinária e o refluxo, como a dilatação dos ureteres e a redução do tônus vesical. É uma das intercorrências infecciosas mais frequentes no pré-natal e, quando não tratada, associa-se a desfechos adversos maternos e perinatais. Clinicamente, classifica-se em três apresentações principais: Bacteriúria assintomática : presença significativa de bactérias na urocultura sem sintomas urinários; na gestante, ao contrário da população geral, deve ser rastreada e tratada por seu potencial de evolução; Cistite : infecção do trato urinário baixo, com disúria, polaciúria, urgência e desconforto suprapúbico, em geral sem febre; Pielonefrite : infecção do trato urinário alto, com febre, calafrios, dor lombar e comprometimento sistêmico, configurando emergência obstétrica com risco de sepse e parto prematuro. O agente etiológico mais comum é a Escherichia coli . O diagnóstico de referência é a urocultura com antibiograma, que orienta a escolha do antimicrobiano seguro na gestação. O manejo adequado da bacteriúria assintomática reduz a progressão para pielonefrite e a morbidade associada, motivo pelo qual o rastreamento faz parte da rotina do pré-natal e a reavaliação por cultura de controle é recomendada após o tratamento.
Na assistência
Solicitar e interpretar a urocultura conforme a rotina de pré-natal, valorizando a triagem de bacteriúria assintomática mesmo na gestante sem queixas, dentro das competências previstas na Resolução COFEN 516/2016. Reconhecer sinais de alarme que diferenciam cistite de pielonefrite (febre, calafrios, dor lombar, vômitos), encaminhando prontamente os quadros altos para avaliação médica e cuidado hospitalar. Orientar adesão ao tratamento e à urocultura de controle pós-terapia, reforçando hidratação, higiene perineal e esvaziamento vesical frequente. Educar sobre prevenção e retorno , explicando sinais de recorrência e a importância de não interromper o antibiótico prescrito. Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra integra o rastreamento de ITU à consulta de enfermagem no pré-natal, documenta cada urocultura e seu controle, pactua condutas com a equipe e encaminha de imediato suspeitas de pielonefrite, garantindo vigilância contínua do bem-estar materno-fetal.
O que dizem as evidências
As diretrizes vigentes recomendam o rastreamento da bacteriúria assintomática por urocultura no pré-natal e o tratamento de todas as formas de infecção urinária com antimicrobiano seguro na gestação, com urocultura de controle após a terapia. Casos de pielonefrite exigem avaliação e manejo hospitalares.