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Enema

Também conhecido como Clister, lavagem intestinal, enteroclisma, clisma.

Enema é a introdução de líquido no reto e cólon para esvaziar o intestino, antigamente usado de rotina na admissão para o parto.

Definição clínica

O enema (também chamado de clister ou lavagem intestinal) é a introdução de uma solução líquida no reto e na porção distal do cólon, por via retal, com a finalidade de estimular a evacuação e esvaziar o conteúdo intestinal. No contexto obstétrico, era empregado na admissão da parturiente sob a justificativa de reduzir a contaminação fecal no período expulsivo, prevenir infecção e supostamente abreviar o trabalho de parto. As evidências atuais não sustentam esses supostos benefícios. Revisões sistemáticas não demonstraram que o enema de rotina reduza taxas de infecção materna ou neonatal, lacerações perineais ou a duração do trabalho de parto. Por outro lado, trata-se de procedimento invasivo, desconfortável e potencialmente constrangedor, que pode causar irritação retal e cólicas. Por esse motivo, o enema deixou de ser uma intervenção rotineira e passou a ser considerado uma prática a ser abandonada na assistência ao parto fisiológico, integrando o conjunto de condutas desnecessárias que a OMS desencoraja. Quando indicado, deve restringir-se a situações clínicas pontuais, como preparo pré-operatório de cesárea eletiva conforme protocolo institucional ou manejo de constipação importante, sempre com indicação justificada, consentimento da mulher e registro adequado em prontuário.

Na assistência

Não ofereça enema de rotina na admissão; informe a parturiente de que a prática não traz benefício comprovado e respeite sua recusa. Ao identificar prescrição rotineira, questione a indicação junto à equipe e fundamente a conduta nas diretrizes vigentes. Reserve o procedimento a indicações específicas e individualizadas, com consentimento informado e privacidade preservada. Quando realizado, observe técnica asséptica, temperatura e volume adequados da solução, monitorando desconforto, cólicas e bem-estar fetal. Registre indicação, consentimento, intercorrências e resposta no prontuário. Protocolo IPDP: a enfermeira obstetra adota o enema como exceção, nunca como rotina, sustentando a desmedicalização do parto e a autonomia da mulher; substitui a conduta automática por escuta, esclarecimento e decisão compartilhada, alinhando a assistência às boas práticas do parto humanizado.

O que dizem as evidências

A OMS e o Ministério da Saúde recomendam NÃO utilizar enema de rotina no trabalho de parto, por ausência de benefício comprovado; o uso fica restrito a indicações clínicas específicas com decisão compartilhada.

Fonte

Ministério da Saúde (Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal); FEBRASGO; OMS 2018 (Recomendações para cuidados intraparto para uma experiência de parto positiva); COFEN 516/2016 (alterada pelas Resoluções 524/2016 e 672/2021)