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Anquiloglossia

Também conhecido como Língua presa, Freio lingual curto, Frênulo lingual alterado, Anquiloglossia neonatal.

Alteração congênita do frênulo lingual que limita a mobilidade da língua e pode, em parte dos casos, interferir na sucção e na amamentação.

Definição clínica

A anquiloglossia é a alteração congênita em que o frênulo lingual, membrana que une a face inferior da língua ao assoalho da boca, apresenta inserção anteriorizada, espessamento ou encurtamento capaz de restringir a mobilidade lingual. A limitação pode atingir a elevação, a lateralização e a protrusão da língua, movimentos envolvidos na formação do vácuo intraoral e na ordenha da aréola durante a sucção.

No Brasil, a triagem é obrigatória por lei. A Lei 13.002/2014 determina a aplicação do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua, conhecido popularmente como teste da linguinha, em todos os recém-nascidos nas maternidades. A triagem identifica a alteração anatômica, mas não decide, sozinha, se há repercussão funcional.

A avaliação clínica combina dois eixos, que precisam ser lidos juntos:

  • Eixo anatômico: aspecto, espessura e ponto de fixação do frênulo, mobilidade da língua em repouso e em movimento;
  • Eixo funcional: observação de uma mamada completa, avaliando pega, vedamento labial, ritmo e sustentação da sucção, deglutição, transferência de leite, ganho de peso do bebê e dor mamilar materna;
  • Diagnósticos diferenciais da dificuldade de sucção: pega incorreta, posicionamento inadequado, ingurgitamento que impede o bebê de abocanhar a aréola, disfunções orais motoras e alterações neurológicas.

Um ponto central para a prática: nem toda anquiloglossia gera dificuldade de amamentação. Uma parcela relevante dos recém-nascidos com frênulo alterado mama, transfere leite e ganha peso sem qualquer intercorrência, e permanece apenas em acompanhamento. A alteração anatômica isolada, sem repercussão na mamada, não caracteriza problema clínico a ser corrigido.

Quando há repercussão funcional documentada e ela não responde ao ajuste de pega e posicionamento, a frenotomia, secção do frênulo, pode ser indicada. A indicação é clínica e funcional, resultado da avaliação da dupla mãe e bebê ao longo do tempo, e o procedimento é realizado por profissional habilitado. Mesmo após a frenotomia, o suporte à amamentação continua sendo necessário, porque o padrão de sucção precisa ser reeducado e a dor materna tende a melhorar de forma progressiva, não imediata.

Na assistência

  • Garantir a realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua na maternidade e registrar o resultado no prontuário e na caderneta do recém-nascido.
  • Observar uma mamada completa antes de qualquer conclusão, avaliando pega, vedamento labial, ritmo de sucção, deglutição audível e dor materna.
  • Corrigir pega e posicionamento e reavaliar em 24 a 72 horas antes de atribuir a dificuldade ao frênulo, descartando ingurgitamento e outras causas de dor mamilar.
  • Monitorar transferência de leite por sinais objetivos: diurese, evacuações, curva de peso e satisfação do bebê após a mamada.
  • Encaminhar para avaliação de frenotomia apenas os casos com repercussão funcional persistente após o manejo, mantendo o acompanhamento da amamentação antes e depois do procedimento.

Protocolo IPDP: a triagem é obrigatória, a intervenção não. A frenotomia indicada somente pelo achado anatômico, sem prejuízo demonstrado na mamada, não é conduta sustentada pelas diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria; a enfermeira obstetra sustenta a vigilância ativa da dupla, documenta a evolução funcional e compartilha a decisão com a mulher e a equipe.

O que dizem as evidências

Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam a triagem universal do frênulo lingual associada à avaliação funcional da mamada, reservando a frenotomia aos casos com prejuízo demonstrado da amamentação. A alteração anatômica isolada, sem repercussão funcional, indica acompanhamento e suporte ao aleitamento, não procedimento.

Fonte

Ministério da Saúde (Caderno de Atenção Básica nº 23 - Saúde da Criança: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar); Lei 13.002/2014 (Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua); Sociedade Brasileira de Pediatria (Departamento de Aleitamento Materno); OMS/UNICEF (Iniciativa Hospital Amigo da Criança); COFEN 516/2016.