O papel da Enfermeira Obstetra no cuidado da saúde da mulher e do bebê

Se pensarmos que em 1939 a Escola Paulista de Medicina criou  o primeiro curso de Enfermagem Obstétrica no Brasil, veremos que a profissão não é nenhuma novidade por aqui. No entanto, ainda vejo muitas dúvidas quanto ao real papel da enfermagem obstétrica no que diz respeito aos cuidados das gestantes, parturientes e bebês recém-nascidos, inclusive entre a própria enfermagem.

Neste post, exploramos como a enfermeira obstetra contribui para cada fase da gestação e do pós-parto, além de abordar a legislação que regulamenta essa profissão no Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Do início

Para se formar Enfermeira Obstetra é preciso que a profissional seja graduada em Enfermagem. A especialização em obstetrícia é adquirida com a conclusão da Pós Graduação em Enfermagem Obstétrica ou Residência em Enfermagem Obstétrica . E aqui no Instituto Educacional Poder do Partejar oferecemos a formação de pós graduação em enfermagem obstétrica, sendo nosso curso aprovado pelo Ministério da Educação (MEC) e atende as exigências do COFEN para que as enfermeiras possam ter seu título cadastrado como especialista no Coren de seu estado.

A enfermeira obstétrica, portanto, acompanha as gestantes embasada pelo conhecimento técnico adquirido com estudos e prática, oferece suporte integral à saúde da mulher e do bebê, sempre respeitando suas escolhas e promovendo uma experiência mais segura e humanizada. 

 

 

O Papel da Enfermeira Obstetra no pré-natal

O pré-natal é uma fase crucial para a saúde da gestante e do bebê e, quando bem conduzido, pode evitar situações clínicas que, ao longo da gestação e após o parto, pode trazer complicações graves que colocam em risco a saúde e a vida da mãe e do bebê. 

Assim, cabe à enfermeira obstetra realizar consultas periódicas para monitorar a saúde materna e fetal, identificando possíveis complicações e promovendo a prevenção de doenças. Algumas das responsabilidades da enfermeira obstetra no pré-natal incluem:

  • Avaliação de sinais vitais: monitoramento da pressão arterial, peso, avaliar a frequência cardíaca do bebê, medir altura uterina, palpação de abdômen para identificar a posição do bebê e temperatura da gestante.

 

  • Exames laboratoriais e de imagem: acompanhamento e orientação sobre exames e vacinas que fazem parte do rol de prevenção e diagnóstico de saúde.

 

  • Orientação sobre alimentação e cuidados gerais: A enfermeira obstetra orienta sobre a importância de uma dieta balanceada, suplementação de ácido fólico, e os cuidados com a saúde mental durante a gestação, tanto da gestante quanto do(a) companheiro(ao), recomendando a consulta com profissionais especializados caso note a necessidade.

 

  • Prevenção de complicações: identificação precoce de condições como diabetes gestacional, hipertensão, e pré-eclâmpsia, promovendo intervenções adequadas para garantir a saúde de mãe e bebê.

 

Além disso, a enfermeira obstetra desempenha um papel ativo na elaboração do Plano de Parto, uma importante ferramenta que permite que a mulher expresse suas preferências e expectativas para o nascimento do bebê.

Nesse caso, seu papel é ouvir as escolhas da gestante, esclarecer dúvidas e orientar sobre as opções disponíveis. Ao auxiliar a gestante na elaboração do plano de parto, ela traz orientações sobre posições de parto, métodos de alívio da dor no trabalho de parto, tipos de anestesias disponíveis, escolha do local de parto e de quem deseja que esteja presente na sala de parto. O plano de parto também pode incluir orientações sobre o momento do nascimento, como o contato pele a pele e o início da amamentação.

 

 

Acompanhamento do Parto

Durante o trabalho de parto, a enfermeira obstetra é fundamental para garantir que o processo ocorra com segurança e conforto para a gestante. Ela realiza a monitorização contínua da saúde da mulher e do bebê, sugere posições e métodos de alívio da dor, realiza intervenções em caso de complicações, e oferece apoio emocional. As principais funções incluem:

  • Monitoramento da evolução do parto: acompanhamento da dilatação cervical, frequência das contrações, frequência cardíaca do bebê e sinais vitais da gestante.

 

  • Apoio emocional: proporciona apoio psicológico e físico, orientando e tranquilizando a gestante durante as diferentes fases do trabalho de parto.

 

  • Intervenções necessárias: em casos de complicações, a enfermeira obstetra pode colaborar com a equipe médica na decisão sobre intervenções caso esteja em ambiente hospitalar, realizar manobras e administrar medicamentos.

 

  • Parto Domiciliar: no caso de parto domiciliar é a Enfermeira Obstetra, preferencialmente 2 ou 3 profissionais, quem realiza toda a condução do trabalho de parto, parto e primeiros cuidados com o recém-nascido, não sendo necessária a presença de médico Obstetra nem Pediatra no local. Leia mais aqui

 

Cuidados pós-parto: a recuperação da mulher e o cuidado com o bebê

Após o nascimento, o acompanhamento da enfermeira obstetra é essencial para garantir a recuperação da mãe e a adaptação do bebê. É ela quem traz orientações sobre cuidados com o períneo e/ou com cicatriz de cesárea (caso tenha ocorrido), monitoramento do sangramento pós-parto e identificação da necessidade de apoio psicológico.

A enfermeira obstetra oferece apoio também para garantir que a amamentação aconteça de forma saudável, orientando sobre a pega correta, prevenção de fissuras e mastites. Além de realizar o acompanhamento inicial do recém-nascido, incluindo a avaliação do peso e orientações sobre os primeiros cuidados com o bebê, exames e vacinas e aplicação de laser na puérpera e no bebê.

 

 

 

O que diz a lei sobre a atuação da Enfermeira Obstetra no Brasil

No Brasil, a profissão de enfermeira obstetra é regulamentada pela Lei nº 7.498/86, que estabelece as competências e atribuições dos profissionais de enfermagem. A atuação da enfermeira obstetra, especificamente, é garantida pela resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), que reconhece sua capacitação e autonomia para realizar diversos procedimentos na assistência ao parto, conforme a formação e qualificação da profissional.

A Lei nº 7.498/86 também reconhece a importância da enfermeira obstetra na promoção da saúde da mulher, no controle das complicações gestacionais e no apoio emocional durante o processo de parto e pós-parto. Além disso, em 2010, o Ministério da Saúde criou uma política nacional para a atuação das enfermeiras obstetras, garantindo a ampliação de sua presença em hospitais e maternidades, principalmente para a realização de partos normais.

Vale lembrar que nossa atuação vai além do cuidado físico, abrange  a promoção de um ambiente acolhedor e respeitoso, que valoriza as escolhas da mulher e da família. Conhecer o nosso papel e a legislação que regula a profissão é essencial para trazer mais autonomia e reconhecimento profissional, além de garantir que as gestantes recebam a melhor assistência possível, em todas as fases da maternidade.

 

 

Fotos: Arquivo Cofen e Liara Baroni

 

 

Karina Fernandes Trevisan

Karina Fernandes Trevisan é formada em enfermagem obstétrica pela Unifesp, mestre em saúde materno infantil e doutora em cuidados em saúde, ambas pela USP

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confira também estes posts

Deixe-nos entrar em contato com você

Investimento

Confira abaixo as modalidades de investimento para a Pós Graduação em Enfermagem Obstétrica.

Opção

Matrícula

Demais Mensalidades

A

R$ 1.500,00 em 4x de R$375,00 sem juros

12X R$ 1.604,16

B

R$ 1.500,00 em 4x de R$375,00 sem juros

18X R$ 1.122,91